Madagáscar, a sensação da CAN

Participar da CAN (Copa Africana de Nações) parecia ser um sonho impossível de concretizar-se ao selecionado de Madagáscar, que viu tudo virar realidade na edição de 2019 do torneio.

Quando nos referimos a Madagáscar, logo nos vem á mente o filme de animação norte-americano, ‘Madagascar’, produzido pela DreamWorks, e que foi sucesso no mundo todo, tanto é, que tivemos quatro longas da série. Mas essa enorme ilha situada na costa sudeste do continente africano, aliás, a quarta maior ilha do planeta, sendo a maior da África, também é conhecida por conta da extrema pobreza de sua população, os malgaxes, além da vida selvagem no país. De resto, se fala muito pouco ou quase nada desta nação com cerca de 22 milhões de habitantes.

No entanto, nos últimos dias, Madagáscar vem ganhando grande destaque nos noticiários esportivos, afinal, a seleção malgaxe de futebol vem realizando uma excelente campanha na Copa Africana de Nações, superando totalmente as expectativas, sobretudo porque a Barea, como é conhecido o selecionado de Madagáscar, jamais havia disputado o torneio continental ao longo da história, enquanto na edição anterior das Eliminatórias da Copa de 2018, os Bois caíram precocemente na segunda fase da competição, após perderem para Senegal por 5 a 2.

Anicet Abel foi o autor do primeiro gol de Madagáscar pela Copa das Nações Africanas ao longo da história.
Anicet Abel foi o autor do primeiro gol de Madagáscar pela Copa Africana de Nações na história. O tento foi marcado aos 4 minutos da segunda etapa do jogo contra Guiné, na Alexandria.

Situada no grupo B da Copa Africana de Nações, ao lado de Nigéria, Guiné e Burundi, a seleção de Madagáscar estreou no torneio empatando em 2 a 2 com os guineenses. Em seguida, os malgaxes conquistaram o seu primeiro triunfo pela competição, ao derrotarem os burundianos pelo placar mínimo, graças ao gol de Marco Ilaimaharitra, aos 31 minutos da segunda etapa da partida. Já no último compromisso válido pela fase inicial da CAN, a Barea voltou a fazer história, vencendo o selecionado nigeriano, grande favorito do grupo, por 2 a 0.

Desta maneira, os Bois garantiram a sua classificação à próxima fase do torneio africano como líderes do grupo B com 7 pontos ganhos, somando duas vitórias e um empate em três jogos disputados. Nas oitavas de final, o conjunto malgaxe teve pela frente a indigesta seleção do Congo, cuja dupla de ataque é composta por Cédric Bakambu e Britt Assombalonga. Mesmo diante de todo o favoritismo dos congoleses, Madagáscar conseguiu equilibrar as ações da partida, arrancando um empate por 2 a 2 no tempo regulamentar, e consequentemente, levando a decisão para as penalidades. Nos pênaltis, a Barea obteve 100% de aproveitamento ao acertar as quatro cobranças realizadas, avançando novamente de fase na CAN (4 x 2).

Em 17 jogos à frente da Barea, o treinador Nicolas Dupuis acumula 8 vitórias, 5 empates e quatro derrotas, obtendo 56,8% de aproveitamento.
Em 17 jogos no comando de Madagáscar, o treinador Nicolas Dupuis acumula 8 vitórias, 5 empates e quatro derrotas, obtendo 56,8% de aproveitamento à frente da Barea.

Diante de todos estes aspectos, é evidente que disputar a Copa Africana de Nações já era um enorme feito para Madagáscar, embora o futebol seja o esporte mais popular entre os malgaxes. A propósito, eu comparo muito esta seleção de Madagáscar ao selecionado da Islândia, que também destacou-se na edição passada da Eurocopa, realizada na França, em 2016. Naquela oportunidade, os islandeses chegaram até a fase de quartas de final, depois de eliminarem a poderosa Inglaterra (2 x 1), nas oitavas.

E pensar que até 2001, há 18 anos, o futebol em Madagáscar era completamente varzeano, em virtude da falta de dinheiro, da péssima infra-estrutura e das condições precárias que tomavam conta dos clubes locais. Entretanto, o projeto de apoio da FIFA para promover o futebol no continente africano, colaborou bastante para a profissionalização do esporte no país. Não à toa, 17 dos 23 jogadores que compõe o elenco malgaxe na Copa Africana de Nações, atuam na Europa, ao passo que catorze deles defendem clubes franceses.

Para finalizar, jamais poderíamos deixar de mencionar o excelente trabalho realizado pelo desconhecido treinador Nicolas Dupuis, de 51 anos, que antes de assumir a seleção malgaxe, havia comandado apenas o Moulins-Yzeure Foot 03, clube que disputa a modesta quarta divisão francesa. O próximo compromisso da Barea, será nesta quinta-feira (11), diante da Tunísia, no Cairo, isto é, outro gigante do futebol africano que está no caminho de Madagáscar. Se os Bois seguirão ou não na competição, saberemos somente amanhã, todavia uma coisa é certa: estar nas quartas de final do torneio já é um verdadeiro título à eles.

 

 

 

 

 

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