Temporada desastrosa

Finalista da Champions League no ano passado, o Tottenham sucumbiu diante do RB Leipzig nas oitavas de final da atual edição do torneio, após perder dos alemães por 3 a 0 na Red Bull Arena. Um resultado que reflete da melhor maneira possível a péssima temporada realizada pelos Spurs.

Nove meses depois de disputar a sua primeira final de Champions League, o Tottenham vive dias extremamente turbulentos, tudo em virtude de escolhas erradas tomadas pela diretoria do clube ao longo da temporada. A começar pela demissão do treinador Mauricio Pochettino logo em seu primeiro grande contratempo à frente dos Spurs, lembrando que quando o técnico argentino deixou o conjunto londrino, ele ocupava a 14ª posição na tabela da Premier League, vinha de um duríssimo revés diante do Bayern Munique por 7 a 2 em pleno Tottenham Stadium, e sofria os traumas causados pela precoce eliminação na 3ª Fase da Copa da Liga Inglesa – eliminado pelo Colchester United, time da 4ª divisão.

Apesar daquele trágico cenário, o ideal seria a diretoria apoiar Mauricio Pochettino, sobretudo porque o treinador já estava há cinco temporadas no comando da equipe pela qual era considerado um ídolo dos torcedores, além de ser um dos principais responsáveis pela ascensão dos Spurs nos últimos anos, mesmo com o clube realizando baixos investimentos em contratações de reforços devido a construção de seu novo estádio. No entanto, bastou o time passar pelo seu primeiro perrengue sob a batuta de Pochettino, para que o mandatário do Tottenham, Daniel Levy, não pensasse duas vezes em demiti-lo para trazer José Mourinho.

O técnico José Mourinho soma 11 vitórias, 5 empates e dez derrotas em 26 jogos à frente dos Spurs - 48,7% de aproveitamento.
José Mourinho soma 11 vitórias, 5 empates e dez derrotas em 26 jogos à frente dos Spurs – 48,7% de aproveitamento. O técnico português foi contratado tendo a missão de tirar o Tottenham da fila de doze anos sem títulos.

A intenção do presidente Daniel Levy ao contratar o técnico José Mourinho, era transformar o Tottenham em um clube vencedor, algo que Mauricio Pochettino nunca foi capaz de fazer, visto que o treinador argentino não ergueu nenhum caneco desde a sua chegada ao White Hart Lane em 2014, ao contrário do Special One, dono de uma carreira pra lá de vitoriosa, haja vista os três títulos da Premier League, dois da Champions League, um da Europa League, e tantos outros conquistados por ele.

E o início de José Mourinho no Tottenham causou um impacto positivo no clube londrino, tanto é, que os Spurs engataram uma ótima sequência de quatro vitórias nos cinco primeiros jogos sob o comando do técnico português pela Premier League. Embora o futebol praticado pela equipe não convencesse dentro de campo, os resultados estavam vindo, e consequentemente, o time seguia escalando a tabela do campeonato – saltou da 14ª para a 5ª colocação. Assim, muitos compreendiam que a troca de treinadores foi uma boa jogada por parte da diretoria.

Dono do 3º elenco mais valioso da Premier League, o Tottenham ocupa a 8ª posição na tabela do campeonato. Aliás, os Spurs terão apenas a liga inglesa para disputar até o final da temporada.
Dono do 3º elenco mais valioso da Premier League, o Tottenham ocupa a 8ª posição na tabela do campeonato com 41 pontos em 29 jogos. Aliás, os Spurs terão apenas a liga inglesa para disputar até o término da temporada.

Acontece, que as coisas mudaram de rumo no Tottenham assim que Harry Kane, a principal referência da equipe no ataque, sofreu uma nova lesão muscular na coxa. E para piorar ainda mais a situação, o sul-coreano Son Heung-min também se contundiu, prejudicando por completo o setor ofensivo dos Spurs, até porque não existe um substituto ideal para Kane no elenco, outro grave erro cometido pela diretoria no início da temporada, pois todos sabiam perfeitamente que o camisa 10 se machuca com certa frequência, e Fernando Llorente, o reserva imediato que Mauricio Pochettino tinha à disposição, transferiu-se ao Napoli.

A propósito, a longa demora para definir o futuro de Christian Eriksen também deve entrar na conta da diretoria, uma vez que o meia dinamarquês já havia declarado publicamente que desejava deixar os Spurs. Deste modo, o Tottenham começou a oferecê-lo no mercado, mas como ele estava em vias de assinar um contrato isento do pagamento da multa rescisória, os interessados passaram a pechinchar o seu valor. No final das contas, o clube inglês acabou negociando o atleta somente em outubro junto à Inter de Milão por R$ 90 milhões, portanto, uma transação que deveria ter sido finalizada antes do início da temporada, arrastou-se quase até a metade da mesma.

Contudo, o que mais chama a atenção é que a derrota de ontem dos Spurs diante do RB Lepizig por 3 a 0 pelas oitavas de final da Champions League, representou exatamente o que foi o Tottenham durante toda a temporada: um time pragmático; previsível; sem repertório; sem variações táticas; sem poderio ofensivo; e sempre repleto de desfalques – Ben Davies, Davinson Sánchez, Moussa Sissoko, Steven Bergwijn, Son Heung-min e Harry Kane estão lesionados no momento. Resta saber agora, se o Tottenham terá fôlego para ao menos brigar pelo G-5 na Premier League, pois do jeito que as coisas andam, é nítido que até mesmo uma vaga na próxima edição da Europa League está ameaçada. A ver!

Deixar um comentário

Menu