Silêncio em Anfield

O dia 11 de março de 2020 ficará marcado pra sempre na memória dos torcedores colchoneros, afinal foi exatamente nesta data que o Atlético Madrid, do treinador Diego Simeone, calou Anfield, um dos maiores templos do futebol mundial.

Depois do Atlético Madrid encerrar a sua participação na fase de grupos da Champions League ocupando a vice-posição do grupo D, atrás da Juventus, o técnico Diego Simeone sabia que teria um grande desafio pela frente nas oitavas de final do torneio, uma vez que os segundos colocados de cada chave enfrentariam os líderes de outras no estágio mata-mata da competição. E quando o sorteio da UEFA colocou o Liverpool no caminho do Atleti, muitos já davam a eliminação dos colchoneros como certa, bastava acompanhar os índices percentuais de ambos nas casas de apostas, lembrando que algumas apontavam até 90% de chances de vitória dos ingleses.

No entanto, apostar em duas vitórias do Liverpool era o mais lógico neste confronto da Champions League, sobretudo porque estamos nos referindo ao melhor time do mundo na atualidade. Para se ter uma ideia, os Reds lideram isoladamente a Premier League com 82 pontos, 25 à frente do vice-líder Manchester City, colecionando o total de 27 vitórias, 1 empate e somente uma derrota em 29 partidas disputadas pela liga inglesa. Além disso, vale destacar que eles são os atuais campeões europeus e mundiais. Por outro lado, o Atlético Madrid vem realizando uma temporada bastante abaixo das expectativas, tanto é, que os rojiblancos ocupam apenas a sexta posição na tabela da LaLiga.

Esta foi a primeira visita de Diego Simeone ao Anfield. O argentino nunca esteve no estádio do Liverpool nem mesmo quando era atleta profisssional.
Curiosamente, esta foi a primeira visita de Diego Simeone ao Anfield. O argentino nunca esteve no estádio do Liverpool nem mesmo quando era atleta profissional.

Apesar do enorme favoritismo do Liverpool, o treinador Jurgen Klopp parecia prever que teria grandes problemas no duelo diante do Atlético Madrid, tudo em virtude do futebol praticado pelos colchoneros, um time extremamente defensivo, que joga há mais de uma década no 4-4-2, com duas linhas de quatro homens bastante recuadas, e que tem os contra-ataques e as bolas paradas como suas principais armas ofensivas. Ademais, a atmosfera do estádio Metropolitano era outro fator que incomodava o técnico alemão.

E como não poderia de ser, foi justamente através de uma bola parada que o Atlético Madrid superou o Liverpool pelo placar mínimo nos primeiros noventa minutos desta verdadeira batalha. Depois de uma cobrança de escanteio, o meio-campista Saúl aproveitou o bate-rebate dentro da grande área e empurrou a redonda para o fundo das redes do goleiro Alisson. No restante da partida, os ingleses até buscaram o empate, porém os oito arremates concedidos por eles não foram na direção da meta de Jan Oblak, muito devido a eficiência defensiva dos espanhóis. Deste modo, os 73% de posse de bola dos Reds de nada serviram no jogo.

Feito histórico: o Atlético Madrid quebrou o tabu de 42 partidas sem derrotas do Liverpool em Anfield (37 vitórias e cinco empates).
O Atlético Madrid desembarcou em Liverpool tendo a difícil missão de quebrar o longo tabu de 42 jogos de invencibilidade dos Reds em Anfield (37 vitórias e cinco empates).

Com a vantagem de jogar pelo empate em Anfield, os rojiblancos desembarcaram na Terra da Rainha confiantes, até porque eles precisariam fazer o que mais sabem para voltar à Madrid com a vaga nas quartas de final na bagagem, ou seja, se defender. Desta forma, por mais que todo o contexto parecesse favorável aos anfitriões, eram os visitantes que estavam confortáveis com toda a situação que envolvia a partida. Todavia, esta tranquilidade acabou a partir do momento que o árbitro Danny Makkelie deu início ao jogo. Os pouco mais de 52 mil torcedores presentes no estádio não paravam de gritar um só minuto, e sob o som de “You Will Never Walk Alone“, os Reds acreditavam que a virada viria naturalmente, assim como ocorreu na semifinal passada diante do Barcelona.

E a esperança dos torcedores do Liverpool aumentou ainda mais depois que o volante Georginio Wijnaldum abriu o placar a favor dos anfitriões no finalzinho do primeiro tempo. Entretanto, a excelente atuação do goleiro Jan Oblak foi preponderante para que o Atlético Madrid conseguisse levar o jogo à prorrogação, haja vista o bombardeio sofrido por ele durante toda a partida – 34 finalizações, sendo onze no alvo. Posteriormente, o tento de Roberto Firmino aos 4 minutos do tempo extra, parecia selar o triunfo dos Reds, mas apenas parecia, já que os dois gols de Marcos Llorente e o outro de Álvaro Morata, ambos ex-atletas do Real Madrid, calaram o barulhento Anfield após seis anos sem que nenhum adversário eliminasse o Liverpool em seus domínios.

Contudo, a verdade é que os comandados de Diego Simeone adoram enfrentar adversários mais fortes, jogar em situações adversas, tendo que suportar todo o tipo de pressão vinda tanto de dentro quanto fora de campo. Todos estes detalhes que incomodam seja lá qual for a equipe, servem como uma espécie de combustível extra ao Atlético Madrid. Isso explica porque, os colchoneros alimentam uma paixão sem igual por este clube que embora não tenha conquistado muitos títulos ao longo dos tempos, é dono de uma história baseada na luta, garra e determinação, qualidades estas, que impulsionam o Atleti, e fazem dele um gigante do futebol mundial, doa a quem doer!

2 Comentários

  1. Juliano josé có Responder

    O liverpool foi eliminado porque a equipa estava se sentindo confiante,tendo enconta vantagens que dispõe.em termos dos resultados alcançados ao longo da temporada,a supremacia na liga inglesa.
    E os ingleses acreditavam na possivel re-viravolta tal qual aconteceu na catalunha na temporada passada frente ao Barcelona.
    O que os colchoneros sabiam interpretar,porque conseguiram abordar e impediram a construção do jogo apartir de tridente criativa anfiel.
    Enfim,os espanhois derrotaram o embate por serem humildes e souberam lidar com a situação dessa natureza.

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