Hansi Flick, o homem que resgatou o futebol do Bayern

O excelente trabalho de Hansi Flick à frente do Bayern Munique, foi preponderante para que o clube bávaro efetivasse o antigo auxiliar-técnico da equipe, que por sua vez, assinou um vínculo contratual válido até 2023 junto ao líder da Bundesliga.

Enquanto a bola não volta a rolar nos gramados mundo afora em decorrência da pandemia de coronavírus, muitos clubes do Velho Continente estão aproveitando essa paralisação para dar início ao planejamento visando a próxima temporada, além de resolver algumas pendências contratuais. E com o Bayern Munique não é diferente, sobretudo porque a situação do treinador interino Hansi Flick encontrava-se totalmente indefinida desde a saída de Niko Kovac no ano passado, embora a vontade tanto dos jogadores quanto da torcida fosse pela efetivação do ex-auxiliar técnico no cargo.

No entanto, a continuidade de Hansi Flick à frente do Bayern Munique era bastante discutível, afinal, o Gigante da Baviera adotou a política de contratar treinadores de peso desde o início da atual década, basta recordarmos que os renomados Louis van Gaal, Jupp Heynckes, Pep Guardiola e Carlo Ancelotti passaram pela Allianz Arena durante este período. Deste modo, Niko Kovac acabou sendo o único técnico não consagrado que trabalhou no conjunto bávaro nos últimos anos, embora o croata tenha se destacado anteriormente no comando do Eintracht Frankfurt – ergueu o caneco da Copa da Alemanha em 2018.

Hansi Flick foi auxiliar de Joachim Low na seleção alemã entre os anos de 2006 a 2014.
Hansi Flick foi auxiliar de Joachim Low na seleção alemã entre os anos de 2006 a 2014.

Criado nas categorias de base do Sandhausen, Hansi Flick não teve uma carreira tão próspera como atleta profissional. No geral, o ex-meio-campista acumulou passagens por Bayern Munique, Colônia, e Victoria Bammental, clube pelo qual pendurou as chuteiras e iniciou a sua trajetória fora das quatro linhas. Posteriormente, Flick comandou o Hoffenheim durante cinco anos (2000 a 2005), e em seguida, aceitou o convite para trabalhar como auxiliar-técnico de Joachim Low – no RB Salzburg e seleção alemã – até que em 2014 ele retornou ao Bayern ocupando a função de auxiliar-técnico.

Contudo, foi apenas em novembro de 2019 que a sorte bateu à porta de Hansi Flick. O péssimo início de temporada do Gigante da Baviera aliado ao pífio futebol praticado pelo time do Bayern, levaram a diretoria bávara a demitir o então técnico, Niko Kovac. Ainda que Massimiliano Allegri e Mauricio Pochettino estivessem livres no mercado, o diretor-geral do clube, Karl-Heinz Rummenigge, decidiu apostar as suas fichas no auxiliar-técnico da equipe, naquela que veio a ser a melhor escolha possível, haja vista os resultados positivos e as boas apresentações dos heptacampeões alemães.

Invicto em 2020, o Bayern não perde desde a derrota frente o Borussia Monchengladbach, no dia 07 de dezembro.
Invicto em 2020, o Bayern não é derrotado desde a derrota frente o Borussia Monchengladbach, no dia 07 de dezembro.

Sob a batuda de Hansi Flick, o Bayern Munique colecionou o montante de 18 vitórias, 1 empate e somente duas derrotas em 21 jogos, registrando 87,3% de aproveitamento através desta incrível performance. Com isso, os bávaros não só assumiram a liderança da Bundesliga como abriram quatro pontos de vantagem em relação ao vice-colocado, Borussia Dortmund. Além disso, os comandados de Hansi Flick ainda bateram o Chelsea por 3 a 0 em pleno Stamford Bridge, no jogo de ida das oitavas de final da Champions League, resultado este, que praticamente selou a classificação dos alemães à fase seguinte do torneio continental.

O Bayern está muito satisfeito com o trabalho de Hansi Flick. A equipe se desenvolveu muito bem sob o comando dele. Eles estão jogando um futebol atraente, o que também se reflete nos resultados. Somos o único clube alemão ainda presente nas três competições. Além disso, gosto da maneira como ele lidera a equipe. Suas qualidades como pessoa são convincentes, ele tem empatia ao seu lado. O Bayern confia em Hansi Flick e estamos convencidos de que continuaremos alcançando nossos objetivos com ele no futuro – disse o diretor-geral Karl-Heinz Rummenigge.

O ótimo futebol apresentado pelos bávaros desde a chegada de Hansi Flick também deve ser exaltado. Apesar do pouco tempo de trabalho, o sucessor de Niko Kovac conseguiu resgatar a essência do Gigante da Baviera, implantando no time um estilo de jogo ofensivo, com marcação alta, linhas compactas e com rápidas transições. Não à toa, em 21 jogos com Flick no comando, a equipe balançou as redes adversárias em 67 oportunidades (média de 3,2 por jogo), ao passo que a defesa foi vazada apenas 14 vezes, registrando uma média inferior a um gol sofrido por partida (0,67). Diante de todos estes aspectos, não restam dúvidas de que o Bayern acertou em cheio ao efetivar Hansi Flick.

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