Sedentos pelo scudetto

Após desbancar a Juventus e vencer a Copa da Itália na temporada passada, o Napoli, de Gennaro Gattuso, espera quebrar o longo tabu de 30 anos sem conquistar o scudetto do Calcio.

Ao analisarmos a temporada 2019/20 do Napoli, podemos dividi-la em duas partes: a fase pré e pós Gennaro Gattuso à frente da equipe. Isso porque os napolitanos enfrentaram momentos extremamente turbulentos sob a batuta de Carlo Ancelotti. Na ocasião, um grande racha envolvendo jogadores e o próprio treinador, contra a diretoria, efervesceu o ambiente nos vestiários do estádio San Paolo, a ponto de astros como Lorenzo Insigne e Dries Mertens ameaçarem deixar o clube. Contudo, apenas Ancelotti acabou saindo depois deste enorme imbróglio.

Como não poderia deixar de ser, a demissão de Carlo Ancelotti deixou os torcedores napolitanos bastante preocupados em relação ao sucesso do clube, sobretudo porque Ancelotti é um grande técnico do futebol mundial, e embora os partenopeus ocupassem a sétima posição na tabela do Calcio naquela oportunidade, a idolatria do experiente treinador permanecia intacta pelos lados do estádio San Paolo. Acontece, que o temor da torcida aumentou ainda mais após a diretoria anunciar que Gennaro Gattuso seria o novo comandante da equipe.

No entanto, é importante salientar que a cúpula diretiva napolitana já esperava uma reação negativa por parte dos torcedores. A começar por conta da enorme identificação que Gennaro Gattuso tem junto ao Milan, clube pelo qual o ex-volante atuou durante longos 13 anos e conquistou uma série de títulos. Além disso, a curta carreira do jovem treinador de 42 anos de idade, também colaborou para que a desconfiança em relação ao seu trabalho aumentasse no San Paolo.

Apesar de toda estas incertezas, o sucessor de Carlo Ancelotti foi aos poucos caindo nas graças da torcida, especialmente devido ao espírito aguerrido do time em campo. Todavia, a inusitada conquista da Copa da Itália 2019/20 sobre a poderosa Juventus, foi o real divisor de águas de Gennaro Gattuso no Napoli, lembrando que os partenopeus não erguiam um caneco desde 2015, quando eles venceram a Supercopa da Itália com Rafa Benítez no comando da equipe.

Por ter ficado na sétima colocação na última edição da Serie A, o Napoli não disputará a Champions League, um feito que não ocorria há exatos quatro anos. Com recursos financeiros mais escassos, os investimentos realizados pelos napolitanos foram de 71,5 milhões de euros nesta janela de transferências, ou seja, menos da metade do valor gasto na temporada anterior, aonde foram despejados 196,5 milhões de euros somente em contratações. Vale ressaltar, que praticamente todo este dinheiro foi usado para a compra de Victor Osimhen junto ao Lille por 70 milhões de euros.

Assim, sem grandes novidades, o Napoli estreou na Serie A somando os seus primeiros três pontos na classificação ao derrotar o Parma por 2 a 0 em pleno Ennio Tardini. Já na rodada seguinte, os pupilos de Gennaro Gattuso atropelaram o Genoa, goleando-o por 6 a 0 no estádio San Paolo. Mas o que mais chamou a atenção nestes jogos foi o futebol ofensivo, de alta intensidade e rápidas transições praticado pelos napolitanos, que atuaram no 4-2-3-1 quando tinham a bola, e no 4-5-1 sem a redonda nos pés.

Contabilizando 6 pontos e um incrível saldo de oito gols nas duas primeiras rodadas da competição, o líder Napoli iniciou a sua caminhada no Calcio com o pé direito. Entretanto, só nos resta saber se a equipe do sul da Itália conseguirá alcançar maior regularidade ao longo da temporada para entrar na briga direta pelo scudetto com os favoritos Juventus e Inter de Milão. Ainda assim, a verdade é que Gennaro Gattuso, antes considerado um técnico meramente motivador, já provou ser muito mais do que isso à beira do gramado!

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