Milan, não.. é Monza!

O projeto de Silvio Berlusconi de transformar o Monza em uma grande força do futebol italiano continua a todo vapor, haja vista os altíssimos investimentos realizados pelo clube da Lombardia, que recentemente anunciou a contratação do meia-atacante Kevin-Prince Boateng.

Se você nunca ouviu falar no Associazione Calcio Monza, não se surpreenda. Apesar de seus 108 anos de existência, este modesto clube situado na região da Lombardia tem pouquíssima tradição no mundo da bola, tanto é, que os biancorossis conseguiram retornar à Segunda Divisão do futebol italiano após quase duas décadas disputando a “Terceirona”. Aliás, é importante salientar que eles são conhecidos como o time que mais vezes figurou na Serie B sem conseguir o acesso ao longo da história, colecionando o total de 39 participações de puro insucesso.

Em virtude da impopularidade no futebol, quando nos referimos a Monza logo nos vêm à mente o célebre autódromo aonde são realizados os GPs da Itália de Fórmula 1 desde a década de 20, ou então recordamos do antigo carro produzido pela Chevrolet entre os anos de 1982 a 1996. Cercada pelos rios Lambra e Pó, a terceira maior cidade da Lombardia também é um importante centro turístico italiano, tendo como principais pontos a histórica catedral Duomo di Monza, a Vila Real, além da famosa rua Viale Lombardia.

Acontece, que as coisas começaram a mudar pelos lados do Monza em 2018, quando o ex-primeiro-ministro da Itália e ex-dono do Milan, Silvio Berlusconi, comprou 100% das ações do clube lombardo por 2,9 milhões de euros (R$ 13,5 milhões) junto à família Colombo. Como não poderia deixar de ser, a primeira iniciativa de Berlusconi foi nomear o seu braço direito, Adriano Galliani, como novo CEO dos biancorossis, lembrando que ele também exerceu esta função no Milan.

Vale ressaltar, que Silvio Berlusconi conhece como poucos o mundo do futebol, isso porque o mandatário presidiu o Milan durante 31 anos. Neste glorioso período, os rossoneros conquistaram o montante de 29 títulos, dentre eles, CINCO taças da Champions League (1989, 1990, 1994, 2003 e 2007), além de OITO scudettos do Calcio (1988, 1992, 1993, 1994, 1996, 1999, 2004 e 2011). Todavia, a “era Berlusconi” chegou ao fim no San Siro após a venda do clube para um consórcio chinês em 2017.

Tendo em vista a enorme ligação de Silvio Berlusconi com o seu ex-clube, muitos já estão comparando o Monza ao Milan. Obviamente, outros aspectos como a curtíssima distância de 12 quilômetros que separam as duas cidades lombardas, o fato dos biancorossis serem comandados pelo ex-jogador rossonero, Cristian Brocchi, e de Adriano Galliani estar trabalhando como CEO, também colaboram para que a similaridade entre as duas equipes seja grande apesar da discrepante diferença de tamanho de ambas.

Contudo, a principal promessa de Silvio Berlusconi assim que ele assumiu a presidência do Monza foi a de conquistar o inédito acesso à divisão de elite do futebol italiano no máximo até 2021. E o primeiro passo para que este trato seja cumprido já foi dado, pois os biancorossis faturaram o caneco da Terceira Divisão na temporada passada e, consequentemente, subiram à Serie B após longos 19 anos. É claro que o aporte financeiro de Berlusconi contribuiu para que o conjunto da Lombardia conquistasse o título com 23 pontos de vantagem em relação ao vice-colocado, Carrarese.

Desta maneira, os biancorossis que já haviam investido pesado para reforçar a equipe na temporada passada, despejaram quase R$ 115 milhões nesta janela de meio de ano, sendo que a média de valores gastos por clubes que disputam a Segunda Divisão é de R$ 1 milhão, sobretudo porque eles costumam contratar atletas não aproveitados por times da Serie A via empréstimo. Logo, fica evidente que Silvio Berlusconi não está medindo esforços para transformar o Monza em uma grande potência do futebol italiano!

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