Apenas 48 horas após a divulgação de que doze gigantes do Velho Continente se uniram para criar a Superliga, já tivemos a confirmação de que o torneio não será mais realizado por desistência de dez destes clubes, o que demonstra que a pressão popular é o que ainda determina as regras no mundo da bola.
Quando o noticiário esportivo mundial parou na última segunda-feira (19) em função da notícia de que doze grandes clubes europeus se uniram para formar a Superliga, a enorme massa de fãs do esporte mais popular do planeta se revoltou, afinal, estávamos diante da elitização ainda maior do futebol. Aliás, a repercussão foi tanta, que no início da semana escrevi um artigo detalhando de forma clara a intenção desta patota em fundar este novo torneio. Caso tenha interesse, acesse o link: https://www.soccerblog.com.br/2021/04/19/fundacao-da-superliga-gera-revolta-no-mundo-da-bola/
Contudo, 48 horas depois da criação da Superliga, ela já não existe mais, visto que dez equipes informaram publicamente que se desligaram do torneio. O motivo para isso? A insatisfação dos próprios torcedores destes clubes que se sentiram envergonhados com a conduta elitista de seus gestores. Vale ressaltar ainda, que alguns jogadores e treinadores destas equipes também se mostraram totalmente contrários à competição, como são os casos de Jurgen Klopp e Pep Guardiola, quer dizer, nada menos do que os dois principais técnicos do mundo na atualidade.

Torcedores do Chelsea se reuniram em frente ao Stamford Bridge na partida diante do Brighton para protestar contra a entrada dos Blues na Superliga.
É óbvio que a pressão popular foi o aspecto que mais pesou para a saída de Manchester City, Liverpool, Manchester United, Chelsea, Tottenham, Arsenal, Atlético de Madrid, Juventus, Inter de Milão e Milan, da Superliga. Todavia, é importante salientar que nem todos estavam 100% determinados a participar do torneio, em especial os ingleses. Acredito que a maioria deles aprovou a ideia devido ao receio de ficarem sozinhos de fora, enquanto os demais disputavam a competição.
Portanto, fica evidente porque City, Chelsea, Tottenham e Arsenal desistiram tão rapidamente de participar da Superliga. Em contrapartida, é inegável o fato de que tanto o Manchester United quanto o Liverpool, estavam engajados na decisão de disputar a competição, sobretudo porque ambos pertencem a donos norte-americanos, que tinham a intenção de transformar o torneio em uma espécie de NBA, predominada por franquias milionárias e que nunca são rebaixadas.

Dos doze clubes que haviam confirmado presença na Superliga, apenas Real Madrid e Barcelona continuam no torneio.
Ademais, não esqueçamos que líderes influentes do meio político como Boris Johnson e Emmanuel Macron, primeiros-ministro de Inglaterra e França, respectivamente, também criticaram a postura dos clubes que ingressaram na Superliga, o que com certeza repercutiu de maneira negativa na imagem de todos. Outro detalhe relevante é que a UEFA, através do presidente Aleksander Ceferin, também prometeu sanções aos participantes da competição, como bani-los da Champions League, e proibir os atletas destas agremiações de defenderem as suas seleções em jogos oficiais.
Deste modo, a desistência por parte dos ingleses acabou arruinando a Superliga como um todo, tendo em vista que italianos e espanhóis se manteriam no torneio caso não houvesse esta implosão, afinal, os presidentes de Real Madrid e Juventus eram os grandes idealizadores da nova competição europeia. Por sinal, Florentino Pérez já havia até arrumado um juiz na Espanha, que o ajudaria se a UEFA o processasse juridicamente. Não à toa, os madridistas não mudaram a sua posição, ao contrário de todos os demais integrantes, excluindo o Barcelona.
Isto posto, a verdade é que a pressão popular acabou sendo preponderante para que a Superliga não saísse do papel. Ainda assim, a imensa rejeição sofrida pelos times que ingressaram nesta furada, também colaborou para o insucesso do torneio. Pois é, na prática o que vimos foi uma tentativa fracassada de golpe dado pela própria situação, visando o poder, aonde os bilionários donos de clubes tentaram criar um campeonato organizado por eles mesmos com o intuito de se apropriarem inteiramente de um dos produtos mais valiosos do planeta, o futebol.