O novo imperador de Roma

Os torcedores romanistas estão em êxtase como há tempos não se via, aliás, podemos dizer que desde a chegada de Fabio Capello ao clube no final do século passado. Pois é, e existe um motivo para toda esta euforia: José Mourinho!

Poucas horas depois que José Mourinho foi demitido do Tottenham, o seu celular tocou. Naquele instante, uma inusitada ligação vinda da capital italiana abria as portas para a chegada do experiente técnico de 58 anos de idade à Roma, visto que do outro lado da linha, o diretor de futebol romanista, Tiago Pinto, rapidamente apresentou o novo projeto esportivo do clube ao treinador português, incluindo-o à frente de tudo. Surpreso tanto com o que lhe foi mostrado como com a agilidade do dirigente que além do mais é seu conterrâneo, Mourinho aceitou a oferta de trabalho.

A propósito, talvez isso explique porque o Special One deixou o Tottenham sem demonstrar nenhum tipo de insatisfação em relação ao seu desligamento do clube londrino. E embora a notícia de que José Mourinho seria o sucessor de Paulo Fonseca tenha demorado para sair na mídia, uma enorme onda de euforia agitou as redes sociais dos torcedores romanistas assim que a informação veio à tona, afinal, a imagem deixada por Mourinho desde a sua saída do futebol italiano, é a de um treinador pra lá de vencedor, haja vista a conquista da tríplice coroa à frente da Inter de Milão, em 2010.

Por sinal, os quase mil torcedores que compareceram do lado externo das dependências da Roma durante a apresentação de José Mourinho, retrata o peso desta contratação por parte do clube italiano. Entretanto, é importante salientar que a empolgação não fica restrita somente aos tifosis romanistas, tendo em vista que o jornal La Gazzetta dello Sport, por exemplo, estampou “Ave Mou” em uma de suas capas, fazendo alusão a expressão utilizada pelo povo para saudar o Imperador César.

Deste modo, fica evidente que José Mourinho recebeu na Velha Bota, o carinho que já não tinha na Espanha e, especialmente, na Inglaterra, em função de seus trabalhos abaixo das expectativas à frente de Manchester United e Tottenham. De qualquer forma, a verdade é que o retorno do Special One ao futebol italiano foi ótimo para ambos, assim como ocorreu no regresso de Zlatan Ibrahimovic ao Milan no ano passado.

Contudo, as expectativas dos giallorossis aumentaram ainda mais após as chegadas de Tammy Abraham, Eldor Shomurodov, Matías Viña, Rui Patrício, Roger Ibañez e Bryan Reynolds, que desembarcaram na Cidade Eterna para defender as cores da Roma pelo montante de 97,75 milhões de euros. Não à toa, o clube da capital é o que mais gastou com contratações até o momento no futebol italiano. Consequentemente, a pressão sobre José Mourinho será tão grande quanto os investimentos realizados por Dan Friedkin neste meio de ano. 

Contudo, o novo projeto esportivo da Roma busca primeiramente transformar a mentalidade do clube, pois como disse José Mourinho: “até é fácil chegar ao topo, o difícil é se manter nele”. Portanto, antes de pensar em títulos, os giallorossis priorizam a construção de uma cultura vitoriosa, e ninguém melhor do que o técnico português para liderar este plano, já que apesar de suas três demissões nos últimos cinco anos, não esqueçamos que ele foi campeão inglês no Chelsea, ergueu três canecos no Manchester United, e conduziu o Tottenham à final da Copa da Liga na temporada passada.

Ainda assim, vale lembrar que os giallorossis não soltam o grito de campeão desde a conquista da Coppa Itália em 2008, e ficaram na SÉTIMA posição da edição anterior do Calcio, o que lhes rendeu pelo menos uma vaga na Conference League. Obviamente, José Mourinho será cobrado por títulos nesses três anos que terá pela frente na Roma, tal qual Cristiano Ronaldo vem sendo pressionado para vencer a Champions League na Juventus. Então, só nos resta saber se Mourinho ficará eternizado como um grande imperador na Cidade Eterna, ou será apenas mais um romano qualquer. A ver!

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