Depois de surpreender em sua estreia na Copa do Catar, a Espanha repetiu o fiasco do Mundial de 2018, e novamente naufragou de maneira precoce nas oitavas-de-final.
A goleada da Espanha sobre a Costa Rica por 7 a 0, inflou o ego dos espanhóis logo na rodada inicial da Copa de 2022, e não apenas por conta do histórico placar, como também devido ao excelente futebol praticado pelos campeões mundiais, que registraram 82% de posse de bola, realizaram 8 arremates na meta de Keylor Navas, e trocaram o total de 1.045 passes ao longo do jogo. Não à toa, o técnico Luis Enrique colocou a Fúria como principal candidata ao título no Catar.
Pois é, mas o que os torcedores e tampouco Luis Enrique imaginavam, é que o triunfo diante da Costa Rica seria o único da Fúria na Copa do Catar, já que ela empatou em 1 a 1 com a Alemanha no compromisso seguinte, e encerrou a fase de grupos perdendo de virada do Japão, por 2 a 1. Ainda assim, os fiéis ao favoritismo espanhol creditaram o revés frente os japoneses como proposital, pois através dele a Espanha caiu na chave considerada mais fácil do mata-mata.

Curiosamente, a Espanha venceu somente três jogos em Copas desde a conquista do título mundial em 2010. Austrália, Irã e Costa Rica foram as únicas vítimas dos espanhóis até então.
No entanto, essa tese caiu por terra logo no primeiro duelo da Espanha no mata-mata contra a seleção sensação da Copa de 2022, Marrocos. Embora os europeus tenham dominado as ações da partida ao permanecerem 77% do tempo com a bola, eles realmente não levaram nenhum perigo aos norte-africanos, haja vista o pífio índice de 1.01 expected goals dos espanhóis, ante 0.72 dos marroquinos.
Consequentemente, a partida terminou empatada sem gols tanto no tempo regulamentar quanto na prorrogação, o que obrigou espanhóis e marroquinos a decidirem o jogo nas penalidades. Pior para a Espanha, que repetiu o fracasso do Mundial anterior na Rússia, e caiu mais uma vez nas oitavas-de-final em decorrência de uma derrota em cobranças de pênaltis.

A Espanha perdeu quatro de suas cinco disputas de pênaltis em Copas do Mundo, se tornando a seleção mais vezes derrotada nas penalidades na história dos Mundiais.
E após a queda nas oitavas-de-final, Luis Enrique vem recebendo uma série de críticas por parte da mídia espanhola, em especial da ala madrilenha, que já o desaprovava em virtude de sua fortíssima idenficação junto ao Barcelona. Aliás, um dos principais questionamentos feitos em relação ao treinador diz respeito a lista de convocados, a julgar que ele chamou oito atletas do Barça e apenas dois do Real Madrid, para disputar a Copa do Mundo.
Inclusive, a convocação de Ansu Fati foi a que gerou maior controvérsia, afinal, o camisa 10 do Barcelona passou um longo período fora de combate à custa de uma lesão, e mesmo sem estar cem por cento fisicamente ele integrou o elenco da Fúria. Além disso, a insistência de Luis Enrique em escalar Marco Asensio como um falso 9 no ataque, não agradou a maior parte dos torcedores, sobretudo em função da melhora ofensiva da seleção quando Álvaro Morata entrava no time.
Obviamente, o trabalho de Luis Enrique deve ser reavaliado, porém é inegável que o futuro da Espanha se mostra promissor, dado o enorme potencial dos vinte jovens jogadores do plantel espanhol que estrearam em Copas graças ao ex-técnico do Barça. Logo, por mais que a queda diante de Marrocos pese de forma negativa, é importante salientar que os atuais vice-campeões mundiais e a seleção número 1 do mundo até outrora, também não os superaram no Catar.