Apesar do bom futebol apresentado no Catar, a Inglaterra viu o sonho de conquistar o bicampeonato mundial sucumbir após a derrota para a França, que estendeu para 60 anos o jejum inglês em Copas.
Assim como aconteceu na histórica Guerra dos Cem Anos, os franceses também saíram vitoriosos diante dos ingleses na Copa do Mundo de 2022, eliminando-os nas quartas-de-final depois de uma batalha pra lá de intensa no estádio Al-Bayt. Por sinal, da mesma forma que Joana D’Arc se consolidou como a grande heroína do conflito que durou mais de um século (1337 – 1453), o atacante Harry Kane regressou do Catar sendo apontado como o vilão dos Three Lions no Mundial.
Pois é, e justamente o capitão Harry Kane, que igualou-se a Wayne Rooney como o maior artilheiro da história da seleção inglesa contabilizando 53 tentos, por ter convertido a sua primeira cobrança de pênalti ante o companheiro de clube, Hugo Lloris. Talvez, o ideal seria o atacante do Tottenham abdicar da segunda penalidade, porém agora é fácil falar, além de não sabermos se outro batedor faria o gol, a julgar também pela enorme falta de sorte da Inglaterra em Copas.

Com a penalidade convertida contra a França, Harry Kane tornou-se o jogador com o maior número de gols de pênaltis em Copas do Mundo, assinalando quatro tentos.
A propósito, o embate frente os atuais campeões mundiais serve perfeitamente como exemplo para retratar o azar que persegue os ingleses em Mundiais, afinal, a Inglaterra realizou uma excelente partida, inclusive se apresentando melhor em comparação a qualquer jogo desta e da última Copa, na qual os Three Lions foram semifinalistas – terminaram na quarta colocação.
Embora derrotados pelo placar mínimo no primeiro tempo, os comandados de Gareth Southgate igualaram o marcador logo no ínicio da etapa final através de Harry Kane, de pênalti. Todavia, mesmo sendo dominada, a França passou novamente à frente do placar com Olivier Giroud, e três minutos depois viu Kane desperdiçar a sua segunda penalidade no jogo. Resultado: 2 a 1, aos franceses.

Apesar de ter registrado maior índice de posse de bola (57% a 43%), gols esperados (2.41 a 1.01), além de ter finalizado mais vezes durante a partida (16 a 8), os ingleses foram derrotados pelos franceses em Al-Khor.
Deste modo, o futebol praticado pelos ingleses, em especial a partir da fase mata-mata da Copa do Mundo de 2022, deixou a nítida impressão de que se eles tivessem superado a França nas quartas-de-final, estariam a um passo da finalíssima da competição, tendo enormes chances de vencê-la independente se o adversário fosse Argentina ou Croácia. Por esta razão a Inglaterra encarou o confronto contra os franceses como uma decisão, e a eliminação foi tão dolorosa.
Aliás, as consequências da queda da Inglaterra podem ser drásticas, já que Gareth Southgate deixou em aberto a sua continuidade à frente da seleção, embora seu contrato seja válido até julho de 2024, quer dizer, até após o término da Eurocopa. Diante desta incerteza, alguns nomes já começam a ser veiculados pela mídia inglesa, dentre eles, os de Thomas Tuchel, Mauricio Pochettino, Brendan Rodgers, José Mourinho, e o do auxiliar de Southgate, Steve Holland.
Contudo, a realidade é que a Inglaterra caiu perante a principal favorita ao título, que além de talento, também é dotada da experiência de ter sido campeã mundial há quatro anos. Logo, os ingleses podem pensar com bastante otimismo tanto na Euro2024 quanto na Copa de 2026, por tudo o que a promissora geração do English Team, formada por Phil Foden, Bukayo Saka, Declan Rice, Mason Mount, Marcus Rashford e Jude Bellingham, apresentou no Catar.