Noventa minutos em Dortmund definirão o futuro do PSG na Champions League

Ao chamar figuras históricas como Javier Pastore, Pauleta, Youri Djorkaeff e David Ginola para promoverem um vídeo pedindo o apoio da torcida horas antes do treinador Luis Enrique dizer que esperava um “Parque dos Príncipes apaixonado” na vésperas da partida contra o Newcastle, o Paris Saint-Germain deixava claro que não encararia o duelo ante os ingleses como um simples jogo da fase de grupos da Champions League, mas sim como uma verdadeira decisão de campeonato.

Contudo, isso já era de se esperar depois que os atuais bicampeões franceses regressaram do St James’ Park no início de outubro com uma duríssima goleada por 4 a 1 na bagagem, ainda que o sentimento de vingança não tenha se tornado público em meio as palavras do técnico Luis Enrique ao afirmar que não conseguia esquecer a derrota em Newcastle, ditas minutos após o triunfo por 3 a 0 sobre o Milan, em Paris.

No entanto, assim como costumeiramente acontece nos confrontos decisivos de mata-mata da Champions League, o PSG acabou frustrando os seus torcedores ao empatar em 1 a 1 com o Newcastle. Por sinal, um resultado que só não foi pior graças ao pênalti pra lá de controverso convertido por Kylian Mbappé no último minuto dos acréscimos.

Deste modo, a sina do Paris Saint-Germain na Champions League novamente prevaleceu, e embora o time da capital francesa esteja passando por um novo processo de reconstrução sob a liderança de Luis Enrique, o torneio continental ainda é o elemento definidor de uma temporada no Parque dos Príncipes, algo natural para um clube que investiu mais de 200 milhões de euros na última janela de transferências.

Portanto, a realidade é que a pressão pesou sobre a jovem equipe do PSG, tanto é, que os parisienses concederam o montante de 31 arremates ao longo da partida, sendo nove deles na direção certa, porém balançaram as redes somente uma única vez. Não à toa, eles registraram um elevado índice de 4,54 gols esperados (xG), ao mesmo tempo que assinalaram o maior diferencial entre gols esperados e gols marcados da Champions League nos últimos dez anos, ostentando uma taxa de 3,7 “tentos desperdiçados”.

É frustrante porque dominamos o Newcastle do início ao fim. Eles não tinham nada, sabíamos que o jogo deles era só se defender. Então, os culpados somos nós, os jogadores. Precisamos matar o jogo e vencer de forma abrangente.

Kylian Mbappé, atacante do PSG

Pois é, e imaginar que no jogo anterior o Paris Saint-Germain precisou de 16 finalizações para golear o Monaco, terceiro colocado na tabela da Ligue 1, por 5 a 2 no Parque dos Príncipes e, detalhe, tendo cinco jogadores diferentes marcando cada um dos gols, como foram os casos de Gonçalo Ramos, Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Vitinha e Randal Kolo Muani. A explicação para isso? Simples, a liga francesa não é a Champions League.

Aliás, por vezes o alto nível técnico da Champions League expõe os problemas do PSG em campo. No empate frente o Newcastle, por exemplo, era nítida a dificuldade dos comandados de Luis Enrique em construir as jogadas desde a defesa contra um adversário que pressiona a saída de bola, atuando com suas linhas altas, vide a chance perdida por Alexander Isak ainda no primeiro tempo, depois que Miguel Almiron desarmou o lateral-direito Achraf Hakimi e deixou o atacante sueco na cara do gol.

Além disso, apesar dos franceses terem dominado as ações do jogo obtendo 72,4% de posse de bola, é importante destacar que eles acabaram sendo “beneficiados” por conta da série de desfalques do Newcastle, cujo banco de reservas era composto por dois goleiros (Martin Dúbravka e Loris Karius), além de quatro atletas com menos de 20 anos de idade (James Huntley, Lewis Hall, Michael Ndiweni e Ben Parkinson), o que se subentende porque o treinador Eddie Howe não realizou nenhuma substituição na partida, diferentemente de Luis Enrique que promoveu as entradas de Vitinha, Bradley Barcola, Marco Asensio e Gonçalo Ramos na segunda etapa, dando maior intensidade aos anfitriões.

Ainda assim, o Paris Saint-Germain saiu de campo sem os três pontos necessários para avançar às oitavas-de-final da Champions League e, por este motivo, decidirá o seu futuro no último jogo da frase de grupos atuando fora de casa contra o Borussia Dortmund, precisando conquistar a primeira vitória como visitante na competição, depois de derrotas tanto no San Siro quanto no St James’ Park.

Já era realmente previsto que o PSG enfrentasse uma árdua caminhada no grupo da morte da Champions League, mas a possibilidade dos parisienses não se classificarem ao mata-mata do torneio pela primeira vez sob a gestão do Qatar Sports Investments, retrata de forma clara que a campanha foi muito aquém das expectativas.

A favor dos líderes da Ligue 1 pesa o fato de que o Borussia Dortmund entrará em campo já classificado para encará-los, além do oponente alemão ser famoso por fraquejar em momentos decisivos como este em que eles precisam de um ponto para confirmar a liderança do grupo, a julgar pelos minutos finais da última rodada da temporada anterior da Bundesliga.

Em contrapartida, será melhor o PSG não se atentar ao lado da fama, pois a do próprio clube na Champions League é… Bom, não preciso nem terminar!

 

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