Doze anos de Simeone no Atlético de Madrid

Além das tradicionais festas de fim de ano, os colchoneros tiveram um motivo a mais para celebrar nos dias que antecederam estas significativas datas: o aniversário da chegada de Diego Simeone ao Atlético de Madrid.

Pois é, o ex-presidente do clube madrilenho, Miguel Ángel Gil, não imaginava que no dia 23 de dezembro de 2011, ele tomaria uma decisão que mudaria completamente o destino do Atleti ao contratar Diego Simeone para suceder Gregorio Manzano no comando técnico da equipe.

Obviamente, o forte vínculo estabelecido nas duas passagens de Diego Simeone como jogador do Atlético de Madrid foi preponderante para que a sua contratação fosse efetivada cinco anos depois do ex-volante pendurar as chuteiras. Ao mesmo tempo, as chances de Simeone desconstruir toda a rica história criada junto ao clube que brigava contra o rebaixamento naquela oportunidade eram maiores do que ele repetir o sucesso dos tempos em que defendia as cores do time dentro das quatro linhas.

Contudo, como o medo jamais esteve presente na vida de Diego Simeone, ele não apenas aceitou o desafio de comandar o Atlético de Madrid, como acabou constituindo um verdadeiro legado no clube espanhol, onde se tornou um dos maiores ídolos desde a sua fundação em 1903.

Para se ter uma ideia, Cholo Simeone coleciona 651 jogos, 386 vitórias, 146 empates, 119 derrotas, 1104 gols marcados e 535 sofridos à frente do Atlético de Madrid. Neste período, foram conquistados dois títulos da LaLiga (2014 e 2021), dois da Europa League (2012 e 2018), dois da Supercopa da Europa (2012 e 2018), um da Copa do Rei (2013) e outro da Supercopa da Espanha (2014), o que resulta em um montante de oito taças erguidas.

Consequentemente, o Atlético de Madrid passou de um clube que brigava na parte intermediária da tabela para se fixar como a terceira força do futebol espanhol, bem como uma potência na Europa ao longo da era Diego Simeone, tanto é, que nestes últimos doze anos os espanhóis disputaram mais edições da Champions League do que os poderosos Milan, Manchester United, Liverpool e Inter de Milão.

Com isso, o Atlético de Madrid quebrou o duopólio que imperava na Espanha, tanto esportivamente quanto em termos financeiros e patrimonial, vide os 488 milhões de euros despejados em contratações nas últimas cinco temporadas, além da inauguração do estádio Metropolitano em 2017.

Por esta razão, a história do Atlético de Madrid pode ser dividida em duas eras: a pré e pós-Diego Simeone. Inclusive, um ótimo exemplo que justifica essa tese é que meses antes da vinda de Cholo, Sergio Aguero acabava de transferir-se ao Manchester City com a intenção de brilhar ainda mais em campo, vencer títulos, bater recordes e dar uma guinada na carreira. Passadas doze primaveras, muitos craques do mundo da bola procuram o Atleti para alcançar estes feitos.

Ainda assim, há pouco mais de um ano, às vésperas da Copa do Mundo do Catar, a continuidade de Diego Simeone esteve ameaçada em virtude da má campanha do Atlético de Madrid no turno inicial da LaLiga, aliada a precoce eliminação na fase de grupos da Champions League. Todavia, a fase de maior instabilidade vivida pelo técnico de 53 anos de idade no clube da capital espanhola foi superada por intermédio da recuperação dos colchoneros na segunda metade da temporada passada.

Não à toa, recentemente a cúpula diretiva do Atlético de Madrid se reuniu com Diego Simeone para extender o vínculo contratual do treinador argentino que terminava em junho de 2024 por mais três anos, o que significa que ele poderá se tornar o técnico com mais tempo de trabalho em um mesmo clube no futebol espanhol se cumprir este novo acordo firmado, superando Miguel Muñoz e as suas 13 temporadas e meia liderando o Real Madrid.

De contrato renovado, Diego Simeone festejou o 12º aniversário no Atlético de Madrid com o time ocupando a terceira posição da LaLiga – a sete pontos dos líderes Real Madrid e Girona -, e previamente classificado às oitavas-de-final da Champions League, nas quais terá um duelo que promoverá o encontro com a Inter de Milão, clube que ele vestiu a camisa por duas temporadas e, por este motivo, guarda enorme apreço.

Seja como for, a estima de Cholo Simeone junto a Inter de Milão durará somente até o instante que a bola começar a rolar, haja vista a recente vitória pelo placar mínimo sobre o Sevilla, outro ex-clube do técnico argentino, que não teve a piedade do Atlético de Madrid em meio a dura batalha que vem travando contra o descenso, lembrando que no banco de reserva dos andaluzes estava Quique Sánchez Flores, treinador que conquistou a primeira das três taças da Europa League do Atleti – em 2010.

A propósito, com o triunfo frente o Sevilla no estádio Metropolitano, os pupilos de Diego Simeone se despediram de 2023 somando 27 vitórias, 7 empates e sete derrotas em 41 jogos realizados pela LaLiga no decorrer do ano corrente. Por sinal, os 88 pontos assinalados pelo Atlético de Madrid neste ínterim, o manteve ao lado do Barcelona com a maior pontuação dentre todos os 20 clubes que disputam o campeonato.

Em todo o caso, agora as expectativas do Atlético Madrid se baseiam em 2024, cuja prioridade é erguer o troféu da Champions League, o único que ainda falta para completar a sua vasta galeria, porque essa passou a ser uma realidade aos rojiblancos nos doze anos com Diego Simeone.

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