Voltemos um ano no tempo, mais especificamente ao dia 15 de janeiro de 2023, quando o Barcelona derrotava o Real Madrid por 3 a 1 e, consequentemente, erguia o caneco da Supercopa da Espanha, em Riade. Por sinal, a conquista marcada por ser a primeira dos blaugranas sob o comando do técnico Xavi Hernández foi crucial para que eles consolidassem o caminho rumo ao título espanhol após quatro temporadas na fila.
No entanto, o cenário mudou por completo um ano depois, visto que este mesmo Barcelona retornou da capital saudita não apenas com o vice-título da Supercopa da Espanha na bagagem, como também trazendo consigo um duríssimo revés por 4 a 1 frente o Real Madrid que, inclusive, retrata claramente a gigantesca diferença entre ambos na atualidade, ou da mesma forma, sinaliza a evolução dos madrilenhos e a involução dos catalães entre um janeiro e outro.
Pois é, contrariando as expectativas, o Barcelona não deu o passo adiante que se esperava com as chegadas de João Cancelo, João Félix e Ilkay Gundogan nesta temporada, vide os 50 pontos assinalados pelos líderes da edição anterior da LaLiga ao término do primeiro turno do campeonato, em comparação aos atuais 41 pontos da equipe que, hoje, ocupa a quarta posição na tabela.

Xavi Hernández coleciona 4 vitórias e cinco derrotas, em nove El Clásicos disputados à frente do Barcelona.
Mas além da campanha inferior, a queda de rendimento do setor defensivo do Barcelona é ainda mais gritante, tanto é, que os atuais campeões espanhóis foram vazados o montante de 22 vezes em 19 jogos disputados pela LaLiga, o que significa que, ainda na metade da competição, eles já sofreram dois gols a mais em relação as 38 rodadas da última temporada.
Por este motivo, em Riade, Xavi Hernández escalou o Barça no 4-2-3-1, com Frenkie de Jong, Ilkay Gundogan, Sergi Roberto, Pedri e Ferran Torres no meio-campo para encarar o Real Madrid, tendo a intenção de controlar o jogo na fase ofensiva e, é claro, gerar uma vantagem numérica no setor a fim de proteger a defesa nos momentos em que o time estivesse sem a bola.
Ademais, na defesa o treinador de 43 anos de idade utilizou Ronald Araújo na lateral-direita em uma linha de quatro ainda formada por Jules Koundé, Andreas Christensen e Alejandro Balde, o que acabou arruinando a partida do Barcelona, uma vez que Vinícius Júnior não vem mais jogando aberto pela esquerda como costumava atuar até a temporada passada, mas sim fazendo uma dupla de ataque com Rodrygo.
À vista disso, tanto Ronald Araújo quanto Jules Koundé tiveram os seus respectivos jogos comprometidos, e o resultado disso foi um hat-trick marcado por Vinícius Júnior. Aliás, aos 10 minutos, o Real Madrid já vencia o El Clásico por 2 a 0, portanto, as dificuldades dos catalães em conseguir uma retomada eram enormes em meio a uma partida que estava praticamente definida instantes após o pontapé inicial.
#SupercopaDeEspaña 🇪🇸
— Sofascore Brazil (@SofascoreBR) January 14, 2024
🆚 #RealMadridxBarcelona 4-1
⚽ Vinícius Júnior (3x) e Rodrygo
⚽️ Lewandowski
📈 Posse: 43% – 57%
👟 Finalizações (no gol): 18 (9) – 12 (7)
🛠 Grandes chances: 5 – 1
☑️ Passes certos: 421 (91%) – 556 (91%)
📊 Nºs completos em: https://t.co/jmOEFD8gNY pic.twitter.com/q3pvzX1Yzp
Seja como for, pior que o resultado foi a atuação do desorganizado Barça que, por sua vez, teve como único ponto positivo na decisão da Supercopa da Espanha o golaço marcado por Robert Lewandowski, também autor do primeiro dentre os dois tentos dos blaugranas nas semifinais contra o Osasuna, lembrando que eles passaram a acumular uma derrota agregada de 10 a 2 nos últimos três El Clásicos, registrando assim, uma elevada média de 3,33 gols sofridos neste período.
Diante deste cenário, a pressão sobre Xavi Hernández nunca foi tão grande desde que ele assumiu o comando técnico do Barcelona em 2021, o que se subentende que o desempenho ante o Napoli pelas oitavas-de-final da Champions League será determinante para definir a situação do treinador formado em La Masia, sobretudo porque os italianos vivem uma fase ainda pior que os espanhóis.
Apesar de ser um grande ídolo dos torcedores barcelonistas, e de ter conduzido o Barcelona ao título da LaLiga na temporada anterior, a continuidade de Xavi Hernández já é bastante questionada pelos lados da Catalunha, por mais que o diretor esportivo do clube, Deco, afirme que a saída do técnico cujo contrato é válido até junho de 2025 está totalmente fora de cogitação.
Logo, é de suma importância que os blaugranas aproveitem a favorável sequência de partidas até o primeiro embate das oitavas-de-final da Champions League, contra Unionistas de Salamanca (f), Betis (f), Villarreal (c), Osasuna (c), Alavés (f), Granada (c) e Celta (f), a fim de readquirir a confiança e, principalmente, para estabelecer um novo padrão de jogo capaz de torná-lo um time ao menos competitivo.
Deste modo, se a ideia de Xavi Hernández era tornar a Supercopa da Espanha um divisor de águas na temporada ela realmente se fez valer, a julgar que não existe mais margens para erros ao Barcelona a partir de agora.
Ou seja, é melhorar ou melhorar e, detalhe, sem novas contratações, visto que a própria diretoria já confirmou que reforços não desembarcarão na capital catalã neste início de ano em função das limitações impostas pelo Fair Play Financeiro. Caso contrário, é bom Xavi já começar a arrumar as malas no final da temporada.