Se o técnico Stefano Pioli tivesse o poder mágico de recortar a campanha do Milan em março e colar em abril, com certeza ele usaria o método do Ctrl+C e Ctrl+V, afinal, os Rossoneri se despediram do terceiro mês do ano registrando incríveis cem por cento de aproveitamento.
Para se ter uma ideia, foram 6 vitórias, 14 gols marcados e somente cinco sofridos, nos seis jogos disputados pelo Milan no período. Assim, os pupilos de Stefano Pioli não apenas alcançaram a vice-posição da Serie A, como abriram SEIS pontos de distância em relação a Juventus. Ademais, eles também avançaram às quartas-de-final da Europa League por intermédio de dois contundentes triunfos sobre o Slavia Praga, por 4 a 2 e 3 a 1, respectivamente.
Como consequência, todos os rumores envolvendo a provável saída de Stefano Pioli ao término da temporada literalmente sucumbiram, inclusive mudando o cenário a ponto da continuidade do treinador de 58 anos, no cargo desde 2019, ser dada como praticamente certa tanto pelo CEO do clube Giorgio Furlani, quanto pelo presidente Paolo Scaroni.
Contudo, embora o Milan tenha vencido todos os jogos de março contra Lazio, Slavia Praga (2x), Empoli, Hellas Verona e Fiorentina, a realidade é que mais uma vez esta situação envolvendo o clube iniciando bem uma temporada, caindo de rendimento em sua metade, e retomando o caminho das vitórias em seu final, se repete pelos lados do San Siro.
🔴 El Milan ha alcanzado los 5000 goles en la Serie A.
— Soy Calcio (@SoyCalcio_) March 17, 2024
Es el tercer equipo en la historia de la competición en hacerlo después de la Juventus y el Inter.
[OPTA] pic.twitter.com/Yi4W6beRZK
Na temporada passada, por exemplo, o Milan estava separado a oito pontos do Napoli na vice-colocação da Serie A antes da parada do campeonato em função da realização da Copa do Mundo. Ou seja, uma condição que mudou após o Diavolo somar apenas uma vitória nas seis primeiras rodadas de 2023, o que culminou com a sua queda ao 5º lugar da tabela naquela oportunidade. Ao mesmo tempo, a boa sequência estabelecida a partir de fevereiro, composta por somente três derrotas nos 17 compromissos seguintes, acabou sendo crucial para que a vaga no G-4 e a permanência de Stefano Pioli fossem confirmadas.
Por este motivo, é correto afirmar que um ano depois novamente o filme se repete no Milan, o que também retrata a enorme capacidade de Stefano Pioli em superar fases adversas, como se conseguisse sair da areia movediça. Nesta temporada, o grande mérito do comandante milanista foi mudar o esquema tático da equipe para o 4-1-4-1, algo que só foi possível graças a confiança por parte dos jogadores.
Consequentemente, o Milan reacendeu as esperanças da torcida na temporada, e agora tem como principal meta o vice da Serie A, além da inédita conquista da Europa League, torneio em que o rubro-negro terá a Roma como próximo adversário nas quartas-de-final. Por sinal, é exatamente aí que morre o perigo pois uma possível desclassificação diante dos Giallorossis seria totalmente diferente de outra para Liverpool ou Bayer Leverkusen, os dois principais candidatos ao título continental.
O fato da Roma ter um plantel menos valioso em comparação ao Milan, além de já ter trocado de treinador no decorrer da temporada em que ocupa apenas a 5ª colocação da Serie A, são elementos que colocam os Rossoneri como favoritos à vaga nas semifinais da Europa League. Portanto, uma eliminação pode conturbar o ambiente e, é claro, aumentar a pressão sobre Stefano Pioli.

Dentre os 24 pontos ainda em disputa na Serie A, o Milan precisa somar mais 9 para assegurar a classificação à Champions League, isso considerando que os seus principais oponentes vencerão todos os jogos.
Não obstante, outro fator que pode prejudicar o Milan nesta reta final de temporada seria não encerrá-la com o vice-título italiano depois de abrir seis pontos da Juventus a oito rodadas do desfecho da Serie A, cuja a campeã será a Inter de Milão, isto é, um duríssimo golpe aos torcedores milanistas.
Além disso, o contexto final da temporada pode ser positivo ou negativo ao Milan dependendo do próximo Derby della Madonnina, válido pela 33ª rodada da Serie A. Isso porque uma vitória da Internazionale pode resultar na conquista do scudetto justamente no clássico contra o seu maior rival e, detalhe, com os Nerazzurri jogando como visitantes no San Siro.
A propósito, um novo revés do Milan no Derby della Madonnina significará a SEXTA derrota seguida frente a Internazionale, a julgar que os Rossoneri perderam os cinco clássicos disputados em 2023, sendo dois deles válidos pelas semifinais da Champions League, dois pela Serie A, e um pela decisão da Supercopa da Itália. Logo, mais um tropeço, desta vez coroando o rival com o scudetto italiano seria no mínimo uma tragédia aos milanistas, para não dizer outra coisa.
A história de Pioli é positiva no Milan. Ele trouxe o clube de volta à Champions League e ganhou um scudetto. Ninguém nunca disse que ele está na berlinda. Seria injusto avaliar o seu futuro se baseando na Europa League e no Derby.
Giorgio Furlani, CEO do Milan
Portanto, ainda que o contrato de Stefano Pioli seja válido por mais um ano – até junho de 2025 – e a diretoria milanista diga o contrário publicamente, é inegável que o futuro do treinador do Milan dependerá da performance do time nas últimas partidas da temporada.
Desta maneira, é fundamental que o Diavolo repita a excelente campanha de março neste mês de abril, o que, certamente, seria ainda mais marcante considerando os desafiantes clássicos ante Internazionale e Juventus, ambos pela Serie A, bem como os dois embates contra a Roma pelas quartas-de-final da Europa League.