A 13ª colocação do Everton na tabela da Premier League foi comemorada pelos torcedores depois do clube de Liverpool passar a virada do ano separado a apenas três pontos da zona da degola.
Na ocasião, o Everton ainda sofria as consequências do pífio trabalho realizado por Sean Dyche, que ao contrário da temporada retrasada, na anterior não conseguiu mantê-lo minimamente competitivo. Por este motivo, o velho conhecido David Moyes, livre no mercado após ser demitido pelo West Ham, desembarcou em Merseyside para comandar os Toffees em sua segunda passagem pelo Goodison Park, desta vez, com o clube travando a quarta batalha seguida contra o rebaixamento.
Seja como for, a realidade é que a vinda de David Moyes surtiu o efeito esperado pelos lados do Goodison Park, a julgar que 31 dos 48 pontos somados pelo Everton na edição passada da Premier League foram conquistados sob o comando do técnico escocês, em função das 8 vitórias, 7 empates e somente quatro derrotas obtidas ao longo das 21 rodadas com o sucessor de Sean Dyche à beira do campo, conforme ilustrado no demonstrativo abaixo:
| Everton (PL 2024-25) | Sean Dyche | David Moyes |
| Jogos | 19 | 19 |
| Campanha | 16ª | 9ª |
| Pontos | 17 | 31 |
| V-E-D | 3-8-8 | 8-7-4 |
| Gols Pró-Contra | 15-25 | 27-19 |
| Aproveitamento | 29,8% | 54,3% |
Mas apesar da evolução em meio a vinda de David Moyes no segundo semestre da última temporada, é inegável que o Everton precisa se reforçar — e muito — para evitar com que o filme da luta pela permanência na Premier League se repita novamente, ainda mais considerando o fato de que Abdoulaye Doucouré, Dominic Calvert-Lewin e Ashley Young deixaram o clube depois do término dos seus respectivos contratos, ao passo que Jack Harrison retornou ao Leeds United por conta do final do seu empréstimo.
Por sinal, os próprios amistosos de pré-temporada do Everton expuseram a enorme necessidade do clube se reforçar neste meio de ano, em especial o mais recente que terminou com a derrota por 3 a 0 frente o Bournemouth, nos Estados Unidos. Apesar das ausências de James Tarkowski, Jarrad Branthwaite e Michael Keane, isto é, três importantes peças da defesa, os pupilos de David Moyes foram facilmente vencidos na segunda etapa, dada a falta de opções no banco de reservas, após um primeiro tempo equilibrado.
Vale ressaltar que além de David Moyes ter indicado o montante de dez contratações para a diretoria, ele também imaginava que teria a maior parte deles à disposição nas atividades de pré-temporada, algo que não aconteceu já que apenas o atacante Thierno Barry, contratado junto ao Villarreal por 30 milhões de euros, e Mark Travers, ex-Bournemouth, foram apresentados até o momento, lembrando que o goleiro irlandês chegou por 4,6 milhões de euros para ser reserva de Jordan Pickford.
Além deles, o Everton também efetivou a compra em definitivo de Carlos Alcaraz, que estava emprestado pelo Flamengo, por 15 milhões de euros, obviamente em virtude das boas atuações do meio-campista argentino desde que chegou ao Goodison Park em meados de fevereiro, compostas por 2 gols e três assistências em 16 jogos defendendo as cores dos Toffees.
Ativamos a opção de tornar o empréstimo de Charly Alcaraz do Flamengo em uma transferência permanente quando terminar no próximo mês. ???????????? pic.twitter.com/gaBHxAl3iX
— Everton Português ???????????????? (@Everton_PT) May 31, 2025
À vista disso, é correto afirmar que três novos reforços foram contratados pelo Everton a 20 dias da estreia do time na nova temporada da Premier League, quer dizer, uma condição diferente do que David Moyes vislumbrava, porém o próprio ex-treinador do West Ham compreende as dificuldades dos Blues no mercado ao encarar a fortíssima concorrência de clubes da Premier League que tem como arma as competições internacionais para seduzir jogadores.
A propósito, é importante destacar que nove clubes ingleses jogarão torneios continentais na temporada que está por vir, ou seja, um incentivo e tanto para atrair reforços cuja intenção é disputar a Premier League. De acordo com David Moyes, jovens atletas até aceitam a ideia de vestir a camisa do Everton, porém essa situação não se enquadra a jogadores renomados ou mais experientes, o que torna complexa a movimentação dos Toffees no mercado.
Consequentemente, o Everton mudou a abordagem no mercado, passando a priorizar contratações de novatos com bom potencial futuro. Em outras palavras, jogadores em início de carreira, promissores, e capazes de se adaptar tanto à cultura quanto às tradições do clube, baseadas na ética forte e trabalhadora. Aliás, isso explica o interesse no lateral-esquerdo Adam Aznou, que está em vias de deixar Munique rumo à Merseyside.
No entanto, o principal alvo do Everton responde pelo nome de Malick Fofana, destaque do Lyon ao lado de Rayan Cherki e Thiago Almada. Em contrapartida, os franceses não apenas rejeitaram a primeira proposta de 37 milhões de euros oferecida pelos ingleses, como o suposto interesse do Nottingham Forest no ponta de 20 anos de idade, inflacionou a negociação que já estava complicada.

Desde 2023 atuando pelo Lyon, Malick Fofana soma 15 gols e 5 assistências em 62 jogos pelo clube francês. Apenas na última temporada, ele balançou as redes 11 vezes em 41 aparições.
Ademais, diante de tantas dificuldades, outra alternativa encontrada pelo Everton para garimpar novos reforços é a Championship League (segunda divisão inglesa). Quer dizer, um caminho que torna viável a busca por jogadores na casa dos 25 anos, que inclusive já foi trilhado por David Moyes nas contratações de Tim Cahill e Joleon Lescott em seu primeiro trabalho pelo clube de Merseyside, bem como na aquisição de Jarrod Bowen, recentemente pelo West Ham.
De qualquer maneira, é certo que a temporada 2025-26 apresentará uma grande novidade ao Everton, isso porque o clube passará a jogar no Hill Dickinson Stadium. Com capacidade para 53 mil pessoas, ele será a nova casa dos Toffees após 133 anos, o que significa que David Moyes também terá a missão de reproduzir a intensidade do Goodison Park, criando uma atmosfera a fim de adaptar os torcedores ao moderníssimo estádio às margens do rio Mersey.
Logo, querendo contratar jogadores certos mas sem nem ao menos conseguir escalar um time completo enquanto o início da Premier League se avizinha, e morando num novo lar que ainda lhe faz se sentir visita, fica claro que obstáculos não faltam e não faltarão ao Everton na próxima temporada.