A péssima gestão do ex-presidente do São Paulo Carlos Miguel Aidar, e do atual mandatário Tricolor, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, levaram os torcedores são-paulinos a viverem dias extremamente tensos nos últimos anos. Não à toa, o time lutou contra o rebaixamento na edição anterior do Campeonato Brasileiro, e quando a equipe terminou a competição na 13ª posição da tabela, a torcida comemorou essa façanha como se fosse um título. Na tentativa de mudar todo este cenário e recolocar o São Paulo novamente em seu devido lugar, Leco enfim acertou, pois contratou o eterno ídolo Raí, para ser o novo diretor de futebol do clube, e a partir daí, as coisas definitivamente fluíram no Morumbi.
Novos rumos
A primeira iniciativa de Raí como diretor de futebol, foi trazer ao seu lado pessoas competentes que pudessem ajudar os jogadores são-paulinos a recuperarem o prazer de vestir a camisa vermelha, branca e preta. Com a sua vasta experiência, Raí escolheu Ricardo Rocha, ex-zagueiro da seleção brasileira tetracampeã do mundo em 1994, para ser o gerente de futebol. Além dele, o ídolo Diego Lugano, considerado um Deus para os torcedores, foi o outro membro escolhido por Raí para completar a diretoria de futebol.
Em conjunto, eles planejaram toda a temporada ainda com o treinador Dorival Júnior no comando da equipe, porém a pífia performance do time dentro de campo aliado a falta de motivação dos jogadores, fizeram com que o São Paulo trocasse de treinador logo no início do ano, em pleno Campeonato Paulista. Foi a partir deste exato instante, que o São Paulo começou a salvar a temporada, e consequentemente, alçar vôos mais altos.

Diego Aguirre
O treinador escolhido pela cúpula são-paulina para substituir Dorival Júnior, foi Diego Aguirre, que estava sem clube naquele momento, após uma má passagem pelo San Lorenzo. Por esta razão, a escolha da diretoria chegou a ser bastante questionada por boa parte da imprensa e até mesmo de torcedores, mas tanto os resultados quanto a postura do time provaram que o comandante uruguaio caiu uma luva no Morumbi.
Embora o São Paulo tenha sido eliminado pelo Corinthians nas semifinais do Paulistão 2018, o embate frente os bicampeões paulistas animou os são-paulinos que viram a equipe bastante vibrante, intensa e determinada nos dois jogos da fase semifinal, tanto é, que o Tricolor perdeu somente nas dramáticas penalidades, depois de sofrer o gol que igualou o confronto nos acréscimos da partida.
Em seguida, com mais tempo hábil para trabalhar, Diego Aguirre foi ajustando melhor o time, dando ênfase primeiramente à defesa. Ficou evidente também, que as mudanças táticas realizadas pelo técnico uruguaio transformaram o São Paulo em uma equipe difícil de ser batida pelos adversários.

Características uruguaias
Todos nós sabemos que as entrega excessiva dos jogadores nas partidas, sempre foram características marcantes do futebol uruguaio, e isto fica ainda mais evidenciado durante os períodos de Copas do Mundo, afinal, é nesta época que acompanhamos a Celeste enfrentando outras seleções.
Com um técnico charrua comandando o time à beira do campo, o conjunto são-paulino acabou absorvendo esta nobre qualidade, basta lembrarmos do duelo de ontem, entre Flamengo x São Paulo. Mesmo atuando diante do líder do Campeonato Brasileiro, no Maracanã totalmente lotado de flamenguistas, os pupilos de Diego Aguirre não baixaram a guarda, muito pelo contrário, lutaram incessantemente durante os mais de noventa minutos de jogo, e através de muita raça, garra e determinação, derrotaram os cariocas por 1 a 0. Para se ter uma ideia, até os veteranos Nenê e Diego Souza suaram a camisa, disputando cada lance como se fossem o últimos de suas vidas.

Batendo recordes
Agora fica mais fácil compreender porque o São Paulo de Diego Aguirre vem quebrando recordes atrás de recordes, como por exemplo, vencer o Atlético Paranaense na Arena da Baixada, ganhar clássicos contra rivais da capital, além de derrotar o Flamengo no Maracanã, algo que não acontecia há dois anos.
Esta boa fase da equipe está rendendo bons frutos ao Tricolor, que de acordo com o “Movimento por um Futebol Melhor” alavancou o número de sócio-torcedores para a incrível marca de 150.706 sócios, ultrapassando o Grêmio (142.915), Palmeiras (123.551) e Corinthians (122.541), respectivamente, tornando-se assim, o clube com maior número de associados do País.
O objetivo principal de Diego Aguirre era classificar o São Paulo novamente à Copa Libertadores, entretanto, com a vice-liderança do Campeonato Brasileiro conquistada na quarta-feira, os são-paulinos já começaram a sonhar com um possível título. Contabilizando 7 vitórias, 5 empates e uma derrota em 13 jogos realizados pelo Brasileirão, o time paulista obtém 66,7% de aproveitamento, portanto, é preciso mais para alcançar um rendimento digno de campeão. Todavia, a gana do São Paulo parece ser capaz de levá-lo aonde todos jamais imaginaram.