Alemanha repete no Catar, o fiasco do Mundial de 2018

Passados quatro anos do vexame no Mundial da Rússia, a Alemanha repetiu a dose no Catar, o que significa que a Mannschaft não supera a fase de grupos de uma Copa desde o tetracampeonato em 2014.

A vitória da Alemanha pelo placar mínimo sobre a modesta seleção de Omã, no desnecessário amistoso disputado entre ambos às vésperas da Copa do Mundo, já dava indícios de que os tetracampeões mundiais corriam sérios riscos de não avançar às oitavas-de-final embora estivessem situados na mesma chave que Japão e Costa Rica, em especial por conta da enorme dificuldade dos alemães em converter as chances criadas em gols.

Para se ter uma ideia, a Alemanha assinalou o montante de 19 arremates ao longo do amistoso contra Omã, sendo que sete foram na direção do gol e DEZ para fora, lembrando que o tento marcado por Niclas Fullkrug saiu somente aos 35 minutos da segunda etapa. A propósito, é importante salientar que esta partida diante do selecionado árabe foi a primeira do atacante do Werder Bremen, de 29 anos de idade, com a camisa da Mannschaft.

A escassez de centro-avantes alemães, aliada ao bom desempenho de Niclas Fullkrug na atual temporada da Bundesliga defendendo as cores do recém-promovido Werder Bremen, além do corte de Timo Werner devido a uma lesão, foram os fatores que levaram Hansi Flick a convocar Fullkrug que, por sua vez, dividiu a artilharia da Alemanha na Copa com Kai Havertz, somando dois gols.

Mas apesar dos gols de Niclas Fullkrug, o diagnóstico do amistoso frente Omã realmente se confirmou na Copa do Mundo, tanto é, que a Mannschaft foi eliminada na fase de grupos sendo a seleção que: mais criou chances de gols no torneio (17); mais acertou a trave (5); mais finalizou (69); mais finalizou no alvo (24); registrou o maior índice de expected goals no torneio (10.46).

Contudo, a dificuldade em balançar as redes não foi a única tribulação da Alemanha no Mundial do Catar, tendo em vista que a má transição defensiva da equipe também colaborou para a precoce queda dos comandados de Hansi Flick, quer dizer, um problema comum para qualquer time que pressiona a saída de bola do adversário, mas não no nível extremo de sofrer tantos contra-ataques, como ocorreu com os alemães nos jogos ante Japão, Espanha e Costa Rica.

Ademais, a utilização de Thomas Muller como centroavante, a inexplicável troca de Ilkay Gundogan por Leon Goretzka no segundo tempo diante do Japão, e a escalação de Joshua Kimmich como lateral-direito contra a Costa Rica, também contribuíram para o vexame dos tetracampeões mundiais nos gramados cataris. Não à toa, as continuidades do técnico Hansi Flick e do diretor esportivo Oliver Bierhoff, não estão confirmadas pela DFB (Federação Alemã de Futebol).

De qualquer maneira, restou aos alemães iniciar um novo processo de reconstrução na seleção, até porque essa foi a última Copa de muitos jogadores que estavam no Catar, como são os casos de Ilkay Gundogan, Thomas Muller e, possivelmente, Manuel Neuer. Logo, cabe a Hansi Flick – se ele continuar -, utilizar a Euro2024 – que terá a própria Alemanha como país sede – para solidificar a renovação da Mannschaft, a fim de evitar outro desastre daqui a quatro anos.

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