Paciência tem limite

A paciência do torcedor são-paulino com o seu time está chegando ao fim, afinal, a cada ano que se passa, o São Paulo continua colecionando vexames atrás de vexames. Desta vez, o fiasco do Tricolor Paulista foi em Córdoba, frente o Talleres (2 a 0), pelo jogo de ida da fase pré-eliminatória da Copa Libertadores. Agora, só resta aos comandados de André Jardine vencerem os argentinos no Morumbi por três gols de diferença, sem sofrer nenhum tento, para seguirem vivos no torneio continental.

Como já era esperado, o São Paulo sucumbiu diante do Talleres em Córdoba. Com gols de Juan Edgardo Ramírez e Tomás Pochettino, ambos marcados na segunda etapa da partida, a equipe argentina praticamente sacramentou a sua classificação à próxima fase da Copa Libertadores, pois acredito que a probabilidade do Tricolor do Morumbi reverter o placar no jogo de volta é remota, creio que beirando os 10% de chance. Na minha opinião, os únicos aspectos favoráveis ao tricampeão mundial neste confronto, é o fato do time atuar em seus domínios, além da enorme tradição do São Paulo na Copa Libertadores.

No entanto, se levarmos em consideração o péssimo futebol apresentado pelo Tricolor desde a chegada de André Jardine ao comando técnico da equipe no final da temporada passada, juntamente com o pífio retrospecto recente do São Paulo em competições mata-matas, entenderemos melhor porque o Talleres é tão favorito à avançar de fase. Para se ter uma ideia, em 2017, o São Paulo foi eliminado da Copa Sul-Americana pelo modesto Defensa y Justicia, clube argentino sem nenhuma tradição em torneios internacionais. Já em 2018, o Soberano caiu diante do Colón, outro pequeno time argentino, também na Copa Sul-Americana. Vale ressaltar ainda, que na última década, o São Paulo acumula inúmeros fracassos contra adversários de menor expressão como Penapolense, Coritiba, Avaí, Bragantino, Juventude, Ponte Preta e Audax.

O São Paulo sofreu 19 eliminações em torneio mata-matas, desde seu último título conquistado em 2012 (Copa Sul-Americana).
O São Paulo sofreu 19 eliminações em torneio mata-matas desde o seu último título conquistado, a Copa Sul-Americana 2012.

Desde o inédito tricampeonato brasileiro em 2006, 2007 e 2008, o São Paulo literalmente afundou, tanto é, que de lá para cá, os são-paulinos só soltaram o grito de campeão uma única vez, em 2012, pela Copa Sul-Americana. Na última década, o que vimos no Tricolor foram apenas treinadores sendo demitidos, diversas trocas de diretores de futebol, invasão no CT, protestos de torcedores, e escândalos envolvendo a política do clube.

A propósito, a direção é sem sombra de dúvidas a maior responsável pelo declínio do São Paulo, visto que a incompetência de Juvenal Juvêncio, Carlos Miguel Aidar, e principalmente de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, levaram o Tricolor realmente ao fundo do poço. Vale ressaltar que Leco parece carregar com orgulho o rótulo de ser o pior presidente da história do clube, não à toa, esta figura repugnante vem alcançando feitos que até a pouco tempo atrás eram inimagináveis, mas que sob o seu mandato, tornaram-se extremamente comuns.

Segundo o falecido Juvenal Juvêncio, Leco, o atual presidente do São Paulo, seri um desastre até mesmo como síndico de prédio. E não é que a profecia estava correta.
Segundo o falecido Juvenal Juvêncio, Leco, o atual presidente do São Paulo, seria um desastre até mesmo como síndico de prédio. E não é que a profecia de “JJ” estava correta!

Diante de todo este turbulento cenário, a obrigação de Raí, diretor de futebol do São Paulo, era montar uma equipe minimamente competitiva, já que o Tricolor Paulista terminou 2018 sabendo que disputaria a fase pré-eliminatória da Copa Libertadores logo no início deste ano. Entretanto, o planejamento do São Paulo foi um verdadeiro desastre, a começar porque Raí optou por bancar o inexperiente André Jardine como técnico da equipe, mesmo tendo em mente que o time teria um complicadíssimo mata-mata pela frente.

Outro erro de Raí, foi reforçar muito mal os setores mais carentes da equipe, o gol, o meio-campo, e a lateral-direita, pois para quem não sabe, o São Paulo não tem no elenco um bom goleiro, não dispõe de um segundo volante com qualidade na saída de bola, enquanto Bruno Peres definitivamente não mostrou a que veio. De resto, bastava a Raí buscar algumas peças em Cotia, uma vez que os jovens Walce, Rodrigo, Luan, Igor Gomes, Helinho, Antony, Gabriel Novaes e Toró, já provaram que são excelentes jogadores. No final das contas, apenas as vindas de Hernanes e Pablo foram comemoradas pelos são-paulinos.

Desta maneira, ficou evidente que a situação do São Paulo no momento é pra lá de crítica, dado que o time terá de enfrentar o seu maior desafio em 2019 sem um treinador à altura no comando, e com uma equipe totalmente desentrosada dentro de campo, até mesmo sem condições físicas ideais para encarar o Talleres necessitando vencê-lo por três gols de diferença. Por essas e outras, é bom a diretoria do Tricolor tirar um coelho da cartola o mais rápido possível, ou então, o filme de outrora irá novamente se repetir no Morumbi, isto é, a temporada do São Paulo será mais uma vez repleta de fracassos!

 

 

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