Voltando a reinar no mundo da bola

Apesar do vice-título da Euro2020, a Inglaterra tem motivos de sobra para comemorar os ganhos que teve desde a chegada do técnico Gareth Southgate.

Quando Gareth Southgate assumiu o comando dos Three Lions em 2016, nem o mais fanático dos torcedores ingleses imaginava o enorme sucesso que o inexperiente treinador, que na época tinha apenas 46 anos de idade, alcançaria à frente da seleção. A começar por conta das pífias campanhas da Inglaterra tanto na Copa do Mundo de 2014 quanto na Euro2016, tendo em vista que o English Team caiu precocemente na fase de grupos do Mundial do Brasil, e foi eliminado pela modesta Islândia, nas oitavas-de-final do torneio continental.

Pois é, e em função da vexatória queda na Euro2016, o então técnico da Inglaterra, Roy Hodgson, pediu demissão do cargo. Todavia, é importante salientar que as críticas em torno do treinador não foram tão grandes na época porque os fiascos ingleses em grandes competições já haviam se tornado corriqueiros, afinal, eles não disputavam uma final internacional desde a conquista da Copa do Mundo de 1966 sobre a Alemanha no estádio de Wembley. De lá para cá, o máximo que o English Team conseguiu foi ser semifinalista no Mundial de 1990, e nas edições de 1968 e 1996 da Eurocopa.

Entretanto, cansada de ver os Three Lions passando vexames em torneios internacionais, a FA (Federação Inglesa de Futebol) deu início a um novo projeto depois da Euro2016, priorizando fortalecer as categorias de base da Inglaterra. E foi exatamente a partir deste processo, que jovens como Marcus Rashford, Jadon Sancho, Jude Bellingham, Bukayo Saka, Phil Foden, Mason Mount, Jack Grealish, entre outros, passaram a ganhar cada vez mais espaço na seleção principal.

Vale ressaltar, que Sam Allardyce havia sido o treinador escolhido para liderar este projeto, mas ele acabou deixando o posto em virtude de escândalos envolvendo esquemas de corrupção. Sem um nome predefinido para ocupar a vaga de Allardyce, o então técnico da seleção sub-21, Gareth Southgate, assumiu o comando do English Team de forma interina. Contudo, as 2 vitórias e 2 empates em seus quatro primeiros jogos à frente da Inglaterra, foram cruciais para a sua efetivação no cargo.

Embora questionado devido a total falta de experiência, Gareth Southgate, que havia trabalhado somente no Middlesbrough – entre 2006 a 2009 – como treinador profissional, provou ser o nome certo para dirigir a seleção inglesa, não à toa, ele é dono da segunda maior taxa de vitórias à frente do English Team com seu recorde de 65%, superando grandes técnicos como Glenn Hoddle (60,7%) e Sven-Goran Eriksson (59,7%), e ficando apenas atrás de Fabio Capello, com 66,7%. No geral, Southgate obtém 70,4% de aproveitamento no comando da Inglaterra (39V – 12E – 10D).

Ademais, soma-se a isso o fato de Gareth Southgate ter conduzido os Three Lions às semifinais da Copa do Mundo de 2018, além é claro, até a grande decisão da Euro2020, lembrando que a Inglaterra defende uma invencibilidade de 13 partidas sem derrotas, colecionando dez vitórias e três empates neste período. Deste modo, fica evidente que Southgate acumula números consideráveis na seleção, especialmente se compararmos ao antecessor Roy Hodgson, que não venceu NENHUM jogo no Mundial de 2014, e conquistou apenas uma vitória – sobre País de Gales – na Euro2016.

Para finalizar, o maior mérito de Gareth Southgate até o momento, foi fazer renascer o entusiasmo dos torcedores ingleses junto à seleção, o que ficou evidente em cada uma das seis partidas realizadas pelo English Team no estádio de Wembley durante a Euro2020. Portanto, ainda que muitos questionem o pragmático estilo de jogo dos vice-campeões europeus, é inegável que a Inglaterra evoluiu sob a batuta de Southgate, deixando de ser uma mera coadjuvante para tornar-se uma das principais candidatas ao título mundial em 2022!

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