Inspiração é o que não falta à Alemanha, de Hansi Flick

Com 100% de aproveitamento em seus três primeiros jogos sob a batuta de Hansi Flick, a Alemanha curou a “ressaca” dos últimos momentos vividos na era Joachim Low à frente da seleção.

Três jogos, três vitórias, doze gols marcados e nenhum sofrido. Pois é, o início de Hansi Flick no comando da Mannschaft não poderia ser melhor tanto ao ex-técnico do Bayern como aos torcedores alemães. Ainda assim, já era realmente esperado que Flick iniciasse bem a sua trajetória na seleção, dada a fragilidade de Liechtenstein, Armênia e Islândia. De qualquer forma, o importante dessas vitórias, especialmente sobre armênios e islandeses, foi notar que a Alemanha retomou a alegria de jogar futebol, quer dizer, algo que há tempos não se via com Joachim Low.

Obviamente, não é correto julgar o trabalho de Joachim Low apenas pelo seu final, tendo em vista que além do ex-comandante da Alemanha ter batido uma série de recordes durante os QUINZE anos em que passou à frente da seleção, como ter sido o treinador que mais vezes dirigiu à Mannschaft ao longo da história com 198 jogos, ele também conduziu-a ao tetracampeonato mundial na Copa do Mundo de 2014, e venceu o título da Copa das Confederações de 2017, o que significa que o desgaste acabou sendo o motivo primordial que levou Low a pedir demissão do cargo.

Apesar dos pesares, a verdade é que Joachim Low perdeu o rumo à frente da seleção alemã a partir da Copa do Mundo de 2018, quando a Alemanha caiu de forma decepcionante na fase de grupos do torneio, lembrando que ela estava na mesma chave que México, Coréia do Sul e Suécia, ou seja, adversários de nível intermediário. Na ocasião, os tetracampeões mundiais se despediram da Rússia com duas derrotas (México e Coréia do Sul) e uma vitória (Suécia), em três jogos.

Posteriormente, o declínio de Joachim Low se acentuou devido a própria teimosia do treinador, haja vista a sua longa insistência no inoperante 3-4-3, cuja a ideia era fortalecer o setor defensivo da seleção, algo que Hansi Flick tratou logo de resolver ao substituí-lo pelo 4-3-3, que por vezes varia para o 4-2-3-1. Assim, com quatro homens na linha de defesa, fazendo marcação alta na saída de bola do adversário, e sendo dominante durante os jogos, Flick trouxe o esquema do Bayern à Mannschaft.

Não à toa, na goleada aplicada sobre a Islândia, a Alemanha entrou em campo com nada menos do que seis jogadores do Bayern entre os titulares, tratam-se de Manuel Neuer, Niklas Sule, Leon Goretzka, Joshua Kimmich, Leroy Sané e Serge Gnabry. Mas além dos bávaros, outras peças se encaixaram perfeitamente no novo esquema de Hansi Fick, como são os casos de Thilo Kherer, Jonas Hofmann, Antonio Rudiger, Ilkay Gundogan e Timo Werner, Kai Havertz, Marco Reus, Florian Wirtz, Jamal Musiala e o estreante Karim Adeyemi.

No entanto, o jogador que mais aproveitou essas mudanças na seleção acabou sendo Leroy Sané, tão questionado nos últimos tempos pelos torcedores alemães. E a “mágica” de Hansi Flick para o ressurgimento do atleta de 25 anos de idade foi deslocá-lo para o lado esquerdo do campo, ao contrário do que ocorre com Julian Nagelsmann, que o utiliza na direita do ataque do Bayern. E no final das contas, Sané retornou das três partidas das Eliminatórias de 2022 com dois gols na bagagem, e o mais importante de tudo, realizando suas melhores aparições pela seleção até aqui.

Isto posto, é importante salientar que as três primeiras vitórias da Alemanha sob o comando de Hansi Flick, manteve os alemães na liderança isolada do grupo J das Eliminatórias da UEFA com 15 pontos, quatro à frente da vice-colocada Romênia. Contudo, por mais que Liechtenstein, Armênia e Islândia não sejam parâmetros para medir a força da Mannschaft, é inegável o fato de que ela reencontrou a alegria de jogar após a chegada de Flick. Portanto, os adversários que se cuidem pois os tetracampeões mundiais desembarcarão no Catar inspiradíssimos para buscar o penta.

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