Continuidade de Deschamps na seleção francesa é incerta após o vice no Catar

Embora campeão mundial em 2018 e vice em 2022, Didier Deschamps deixou em aberto a sua permanência à frente da seleção francesa após uma década no cargo.

Quando Didier Deschamps assumiu o comando técnico dos Bleus em julho de 2012, eles tinham apenas uma estrela de campeã mundial estampada em seu emblema e graças a colaboração de Deschamps, um dos principais líderes do time de Aimé Jacquet na conquista da Copa do Mundo de 1998. Pois é, e passadas duas décadas, o treinador de 54 anos de idade vive um novo dilema à frente da seleção: seguir ou não no cargo para a disputa da Euro 2024?

Apesar de ter conduzido a França ao bicampeonato em 2018, tornando-se o terceiro personagem na história a vencer uma Copa do Mundo como jogador e treinador depois de Mário Jorge Zagallo e Franz Beckenbauer, Didier Deschamps carrega no currículo duas pesadas derrotas nas finais da Euro 2016 e agora na decisão do Mundial 2022, ou seja, resultados que pendem a favor da saída do técnico cujo contrato junto ao selecionado francês é válido até o próximo dia 31.

Aliás, é bem verdade que caso o goleiro Emiliano Martínez não tivesse realizado um verdadeiro milagre ao defender o arremate de Randal Kolo Muani, nos acréscimos da etapa final da prorrogação contra a Argentina, a continuidade de Didier Deschamps na seleção não seria tão incerta como é no momento, ainda que o seu futuro independesse da conquista do tri mundial.

Vale ressaltar, que a França regressou do Catar com uma campanha melhor do que os argentinos ao registrar 76,2% de aproveitamento em função das 5 vitórias, 1 empate e uma derrota, obtidos nos sete jogos disputados no decorrer da Copa de 2022, à medida que os campeões colecionaram 4 vitórias, 2 empates e uma derrota, assinalando um índice inferior de 66,6% de aproveitamento no torneio.

Ademais, é importante salientar que a França sofreu somente uma derrota nos últimos DEZ jogos válidos por mata-matas de Copas, sendo a seleção que mais triunfou e menos perdeu neste estágio do torneio desde que Didier Deschamps passou a dirigí-la, quer dizer, um período que engloba as três edições anteriores de Mundiais, lembrando que os Bleus se despediram do Catar com o melhor ataque da competição somando 16 tentos marcados.

Por sinal, não esqueçamos que a seleção francesa sofreu consideráveis baixas às vésperas do ínicio da Copa do Catar, que incluiam os volantes N’Golo Kanté e Paul Pogba, além do atacante Karim Benzema. Ainda assim, Didier Deschamps mudou o esquema tático da equipe para o 4-2-3-1, colocando Antoine Griezmann para atuar como meia, enquanto Adrien Rabiot e Aurélien Tchouaméni formavam a dupla de volantes, e Olivier Giroud substituiu Benzema no ataque.

Com isso, os bicampeões mundiais foram finalistas da Copa de 2022, o que retrata, novamente, o excelente trabalho realizado por Didier Deschamps. Contudo, o insucesso de seleções em Mundiais quase sempre acarreta na troca de treinadores – vide os casos de Luis Enrique, Fernando Santos, Roberto Martínez e Tite -, ainda mais em se tratando de um treinador já desgastado há dez anos no cargo, e com o fantasma de Zinedine Zidane o assombrando.

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