Everton flerta com o rebaixamento pela terceira temporada seguida

Oitenta e cinco dias, eis o longo intervalo de tempo que separa o Everton da sua última vitória na Premier League, a julgar que os Toffees não saem de campo com os três pontos desde o triunfo por 2 a 0 sobre o penúltimo colocado Burnley, em 16 de dezembro do ano passado, o que significa que eles ainda não ganharam nenhuma partida pelo campeonato em 2024.

Vale ressaltar que de lá pra cá, o Everton registrou seis derrotas e cinco empates nos 11 jogos disputados pela Premier League, registrando míseros 15,1% de aproveitamento através deste pífio desempenho que o fez despencar da 12ª para a 16ª posição na tabela da competição, já incluindo o último revés por 2 a 0 frente o Manchester United, no Old Trafford.

Diante deste obscuro cenário, a continuidade do técnico Sean Dyche é discutida a cada resultado negativo obtido pelo clube que vive uma crise sem precedentes, e que encara uma dura batalha contra o rebaixamento pela terceira temporada consecutiva, vide os quatro pontos que o separam do Luton Town, o primeiro oponente dentro da zona da degola que, no momento, contabiliza uma partida a menos na Premier League.

Entretanto, pior que a campanha do Everton na Premier League, é a nula sensação de que os Toffees poderão se recuperar, especialmente por conta da queda de rendimento do setor defensivo do time que só não foi vazado em dois da ingrata série de onze jogos sem vitórias pela competição.

Diferentemente do que ocorreu ao longo do 1º turno da Premier League, onde a solidez defensiva do Everton lhe garantia preciosos pontos em meio a ineficiência ofensiva sempre abastecida pelo baixíssimo número de finalizações, bem como pelas poucas, ou quase nenhuma, criações de oportunidades de gols, agora a defesa seguiu os mesmos passos do ataque e também “evaporou”.

Não à toa, o Manchester United não teve nenhum tipo de dificuldade para garantir a vitória sobre o Everton com dois gols de pênalti ainda na etapa inicial da rodada anterior da Premier League, algo que também já havia acontecido na jornada retrasada em que o West Ham marcou duas vezes nos acréscimos para derrotar os comandados de Sean Dyche por 3 a 1 em pleno Goodison Park.

Contudo, a pausa de três semanas no calendário do Everton devido ao adiamento do Derby de Merseyside do próximo final de semana, além dos jogos da Data Fifa, certamente ajudarão o técnico Sean Dyche a encontrar uma solução para resolver os problemas defensivos que assolam a equipe que ainda é dona da 4ª melhor defesa da Premier League com 39 tentos sofridos – ao lado de Manchester United e Tottenham.

Decerto, uma solução seria a saída de Ben Godfrey – zagueiro de origem – da lateral-direita, afinal, este improviso promovido por Sean Dyche vem fragilizando os Toffees tanto ofensiva quanto defensivamente, já que o camisa 22 acaba não contribuíndo no apoio, tampouco na marcação. E sem contar que o elenco ainda oferece ao ex-treinador do Burnley opções como o antigo capitão Seamus Coleman, além de Nathan Patterson, contratado junto ao Rangers por 14 milhões de euros há dois anos.

Ainda assim, a maior preocupação de Sean Dyche gira em torno do setor ofensivo, haja vista as constantes declarações do treinador de 52 anos de idade em relação a prodigalidade do Everton na conclusão das jogadas. Inclusive, no Old Trafford foram somente seis finalizações certas depois de 23 arremates concedidos nos noventa minutos da raríssima partida em que os visitantes assinalaram um alto índice de 1.61 gols esperados (xG), e passaram em branco no placar.

Obviamente, os sete gols assinalados pelo Everton após 11 compromissos válidos por todas as competições em 2024 jamais deveriam deixar de ser motivo de inquietação, porém os números ofensivos seguem praticamente os mesmos desde o início da temporada, ao contrário dos defensivos. Portanto, é importante que Sean Dyche centre todas as atenções na defesa nesta espécie de inter-temporada que o clube inglês realiza em Portugal.

À vista disso, essa paralisação de 20 dias pode ser fundamental para o Everton se revitalizar na temporada, até porque uma troca no comando técnico do time não resolveria a crise instaurada no Goodison Park, uma vez que Sean Dyche herdou o plantel mais fraco dentre os que lutaram contra o descenso neste período recente, já que além de não ter tido a chance de reforçá-lo, ele ainda não dispõe de figuras como Alex Iwobi, Anthony Gordon e Richarlison, melhores em comparação a Dwight McNeil, Beto e Jack Harrison.

Ademais, a grave saúde financeira do Everton, que se agravou depois da saída de Carlo Ancelotti em 2021, impediu com que os contratos de Yerry Mina e Andros Townsend fossem renovados em razão de elevados gastos salariais, o que demonstra que algumas peças que estavam nos planos de Sean Dyche também acabaram deixando o clube de Merseyside nesta temporada.

Deste modo, apesar do fraco trabalho por parte de Sean Dyche, demití-lo nesta reta final de temporada seria um equívoco da mesma proporção que responsabilizá-lo por toda a má fase vivida pelo Everton, pois qual outro treinador poderia fazer melhor estando em seu lugar? Dentro do próprio clube que se tornou um perdedor perene nos últimos anos já é sabido que ninguém.

Então, para não piorar, que as coisas sigam assim pelos lados do Goodison Park!

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