Ensurdecedoras vaias proferidas após o revés por 2 a 1 da Lazio diante da Udinese em pleno estádio Olímpico pelo fechamento da 28ª rodada da Serie A, marcaram o fim da trajetória de Maurizio Sarri à frente dos biancocelesti.
Pois é, as quatro derrotas consecutivas sofridas pela Lazio, sendo três delas pela Serie A e outra que resultou na queda dos romanos nas oitavas-de-final da Champions League, levaram Mauricio Sarri a entregar o cargo depois de dois anos e meio, encerrando assim, um ciclo que, há dez meses, se mostrava promissor não apenas por conta do vice-título italiano, como também em virtude do futebol praticado por eles, decorrente do popular sarrismo.
No entanto, aquele estilo de jogo dinâmico, ofensivo e envolvente, deu lugar a outro sem entusiasmo, sem ideias e sem nenhuma convicção nesta temporada, o que significa que a Lazio perdeu totalmente a essência do sarrismo. Ao notar que tratava-se de um caminho de mão única, Maurizio Sarri preferiu entregar o cargo, embora o seu vínculo contratutal fosse válido até junho de 2025.

Curiosamente, Maurizio Sarri deixou a Lazio dois meses após a saída de José Mourinho da Roma.
Vale ressaltar que Maurizio Sarri desembarcou na capital italiana em 2021, após uma frustrante passagem pela Juventus, tendo de encarar a dificílima missão de substituir Simone Inzaghi depois da traumática saída do antecessor que, de ídolo, passou a ser odiado pelos torcedores da Lazio.
Desde então, apesar de Maurizio Sarri não ter repetido o sucesso de Simone Inzaghi ao não erguer nenhum caneco no comando da Lazio, ele despediu-se do clube registrando 65 vitórias, 30 empates, 42 derrotas e 72,2% de aproveitamento no Derby della Capitale, em decorrência das 4 vitórias, 1 empate e uma única derrota nos clássicos contra a Roma.
Contudo, a saída de Maurizio Sarri reflete os erros cometidos pela diretoria da Lazio desde o final da última temporada, especialmente por confiar no famoso slogan do futebol: “em time que está ganhando não se mexe”. Sim, o vice da Serie A fez os biancocelesti acreditarem que não havia a necessidade de investir pesado em contratações mesmo depois da transferência de Sergej Milinkovic-Savic ao Al-Hilal, e ainda tendo uma Champions League pela frente.
Desta maneira, nos momentos de sucesso onde precisamente é importante um aprimoramento para sustentá-lo, a Lazio optou por trilhar um caminho conservador ao não trazer nenhum reforço indicado por Maurizio Sarri, e ao manter praticamente a mesma formação da temporada anterior porém sem um dos pilares do meio-campo, Sergej Milinkovic-Savic, o que desestruturou por completo a espinha dorsal da equipe que ocupa somente a 9ª colocação da Serie A com 40 pontos, onze a menos em relação ao G-4.
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Logo, a realidade é que a Lazio vem apenas colhendo os frutos plantados em uma temporada que tinha tudo para ser e, ao mesmo tempo, pode ficar melhor, a julgar que o sarrismo já não surtia efeito. Portanto, como o ciclo do treinador de 65 anos de idade já havia verdadeiramente acabado, uma mudança de rota pode ser benéfica ao clube que se mantém estagnado na vala comum.
À vista disso, é capaz que a renúncia por parte de Maurizio Sarri acelere o processo de reestruturação da Lazio, sobretudo porque já se sabe que Pedro e Felipe Anderson não permanecerão no clube na próxima temporada, ao passo que Ciro Immobile dá inícios de que irá em busca do último milionário negócio da carreira, enquanto Mattia Zaccagni entrará em seu ano final de contrato.
Isto posto, fica evidente que existem diversas pendências a serem resolvidas, o que, certamente, obrigará a Lazio a passar pela prolongada reformulação que seria mais tranquila há um ano devido aos 40 milhões de euros recebidos pela venda de Sergej Milinkovic-Savic, além dos 60 milhões de euros pagos pela UEFA aos clubes que participam da Champions League. Quer dizer, eram “só” 100 milhões de euros a mais disponíveis no caixa naquela oportunidade.
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Mas paralelamente, os planos da Lazio continuam voltados a atual temporada pois por mais que os biancocelesti tenham de travar uma duríssima batalha pela vaga na Champions League frente Bologna, Roma, Atalanta, Napoli e Fiorentina, as chances de conquistá-la ainda existem. Além disso, em abril eles terão as decisivas partidas das semifinais da Copa da Itália para jogar contra a Juventus.
Por este motivo, a cúpula diretiva da Lazio não demorou nem ao menos 24 horas para anunciar que o assistente técnico de Maurizio Sarri, Giovanni Martusciello, será o seu substituto na próxima partida ante o Frosinone. Posteriormente, como haverá a pausa no calendário do futebol europeu em razão dos jogos internacionais da Data Fifa, um ex-jogador do clube romano será nomeado até o desfecho da temporada, lembrando que Tommaso Rocchi, Miroslav Klose, Cristian Brocchi, Marco Parolo e Roberto Rambaudi aparecem como opções.
Por fim, a permanência de Giovanni Martusciello também não está descartada, o que dá a entender que o seu futuro dependerá do desempenho da Lazio no Benito Stirpe. Decerto mesmo, é que o verdadeiro sucessor de Maurizio Sarri chegará no meio do ano, tendo como prioridade liderar uma complexa e significativa reconstrução.