A renovada Itália, de Roberto Mancini

A ausência na Copa do Mundo de 2018 parece ter feito bem para a Itália, que após passar por uma enorme reformulação sob o comando de Roberto Mancini, tornou-se uma das seleções mais fortes da atualidade.

Há pouco mais três anos, os italianos viviam um de seus maiores dramas relacionados ao futebol, visto que o empate sem gols entre Itália e Suécia no San Siro, culminou com a não ida da Azzurra à Copa do Mundo de 2018 – os suecos venceram o jogo de ida por 1 a 0. Mas apesar de dura, esta “tragédia” trouxe benefícios aos tetracampeões mundiais, a começar porque o ex-presidente da FIGC (Federação Italiana de Futebol), Carlo Tavecchio, renunciou ao cargo após a queda nas Eliminatórias de 2018, lembrando que antes dele, o ex-treinador Gian Piero Ventura já havia pedido o boné.

E a saída de Carlo Tavecchio da presidência da FIGC, abriu as portas para Gabriele Gravina, ex-mandatário da Lega Pro (terceira divisão do futebol da Itália), sucedê-lo no cargo. Passados alguns meses estudando nomes de treinadores para assumir o comando da Azzurra, Gravina anunciou Roberto Mancini como o novo técnico da Itália um pouco antes do início do Mundial da Rússia. Vale ressaltar, que o trabalho mais notório realizado por Mancini deu-se à frente do Manchester City, entre 2009 e 2013, sobretudo porque ele conduziu os Citizens ao título inglês após 44 anos de jejum.

A partir de então, Roberto Mancini deu início a uma reformulação na seleção italiana. Mesmo sem contar com grandes estrelas do mundo da bola, Mancini foi capaz de montar uma equipe extremamente competitiva. Ademais, chama a atenção o fato do técnico de 56 anos de idade estar aproveitando muito bem o pouco tempo que tem à disposição para treinar a Azzurra, haja vista o entrosamento dos italianos em campo.

Para se ter uma ideia, dos 28 jogos em que Roberto Mancini esteve à frente da Itália até aqui, os tetracampeões mundiais acumularam o total de 19 vitórias, 7 empates e somente duas derrotas. Foram 62 gols marcados (2,2 por jogo) e 14 sofridos (0,5 por jogo) neste período, o que significa que o treinador italiano registra 76,1% de aproveitamento, além de uma incrível média de 2,29 pontos conquistados por partida no comando da Azzurra.

A propósito, é importante salientar que com o triunfo sobre a Lituânia por 2 a 0 na tarde de hoje (31) em Vilnius, a Itália chegou a sua 25ª partida consecutiva sem derrota, somando 20 vitórias e cinco empates neste ínterim, o que permitiu com que Roberto Mancini igualasse o feito de Marcello Lippi entre 2004 e 2006, isto é, na época em que os italianos faturaram o tetracampeonato mundial. Deste modo, Mancini caminha a passos largos para alcançar a marca de Vittorio Pozzo, que permaneceu invicto 30 jogos no comando da Azzurra na década de 30.

Embora organizada defensivamente, a Itália, de Roberto Mancini, joga de maneira bastante ofensiva. Armada no 4-3-3, a equipe é dona de um meio-campo bastante dinâmico e criativo, formado por Nicolò Barella, Stefano Sensi e Marco Verratti. Os laterais Alessandro Florenzi e Leonardo Spinazzola também ajudam o ataque através de suas constantes subidas, sem contar os habilidosos pontas Federico Chiesa e Lorenzo Insigne, que se movimentam o tempo todo abrindo espaços para quem vem de trás. Por fim, o centro-avante Andrea Belotti fica responsável pelos gols do time.

Outro detalhe curioso, é que a Itália tem atletas de diversos clubes compondo o plantel, tais como Inter de Milão, Lazio, Napoli, Sassuolo, Atalanta, PSG, Roma, Milan, Fiorentina, Torino, e até mesmo o Spezia, e apesar de não ser uma seleção tão badalada quanto Bélgica, Portugal e França, a Azzurra é a que vem praticando o melhor futebol no momento. Por isso, ao contrário do que ocorreu há quatro anos, os italianos não somente garantirão a sua vaga no Mundial, como desembarcarão no Catar sendo um dos principais candidatos ao título.. e tudo graças ao ótimo trabalho de Roberto Mancini.

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